O diretor para a Europa do Instituto Hudson, Peter Rough, defendeu que o presidente norte-americano, Donald Trump, "nem sempre se comportou como queríamos" no que diz respeito à NATO, seja na forma como ameaçou tomar a Gronelândia ou na guerra com o Irão. Mas acusou também o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de "fazer política" com a Aliança Atlântica e este conflito.O norte-americano participou na manhã desta quarta-feira (29 de abril) num debate animado sobre a Relação Atlântica e a Segurança Europeia no Foro La Toja, que regressa pela quarta vez à Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, junto com o ex-chefe da diplomacia e presidente da Assembleia da República Augusto Santos Silva, o representante especial da NATO para o Flanco Sul, Javier Colomina.Rough resumiu a posição dos EUA em relação à Europa, especialmente com a Administração Trump, com uma insistência na partilha das responsabilidades na NATO, daí o forçar o gasto de 5% do PIB em defesa, mas também em reequilibrar as trocas económicas, assim como o entendimento comum em relação à China.Augusto Santos Silva serviu de disruptor neste painel, lembrando que a última ameaça à NATO veio dos EUA, quando falou em anexar a Gronelândia. "As palavras contam muito, os gestos contam muito", afirmou o ex-ministro, explicando que "é difícil falar num sistema estável de aliança, no qual os aliados confiam uns nos outros, quando nenhum dos membros da NATO foi consultado ou informado previamente da ação militar empreendida pelos EUA no Irão".O ex-chefe da diplomacia considera ainda "impossível" que a Europa atinge o objetivo dos 5% "se esse objetivo for sério e não disfarçado para efeitos de publicidade enganosa" e sem "sacrificar o modelo social europeu, despertando uma revolta, legítima e justificada, dos cidadãos europeus".Santos Silva diz que a exigência dos 5% não é que os europeus gastem 5%, é que comprem equipamento militar aos EUA e agravem a sua dependência dos norte-americanos. Algo que Rough refutou, dizendo que os americanos não são contra comprar europeu e não são protecionistas.Sobre o reforço dos gastos da defesa na Europa, chamou a atenção para as necessidades dos países de leste, para quem a ameaça russa é mais visível, dizendo que ignorar essas necessidades é a melhor forma de dividir a aliança.Sobre a guerra no Irão, criticou a posição dos aliados, lembrando que nem se mostraram solidários quando morreram militares norte-americanos num ataque iraniano, limitando-se a falar na violação do direito internacional. "O Irão também não é precisamente seguidor das resoluções da ONU", referiu, dizendo que não é participar na guerra enviar uma mensagem de condolências, não é entrar na guerra mostrar apoio, não é entrar na guerra deixar que os aviões sobrevoem o território. E, referindo-se diretamente a Sánchez, disse que o primeiro-ministro espanhol "está a fazer política" com a sua posição em relação à NATO e à guerra no Irão. E haverá consequências.Sánchez tem sido crítico com a exigência dos 5% de gastos de defesa na NATO, mas também impediu os aviões norte-americanos de sobrevoar Espanha durante esta guerra, assim como de usar as bases no país. E tem defendido o "não à guerra".Colomina admite a "personalidade complexa" de Trump, mas lembra que nos fóruns oficiais nunca houve da parte da Administração uma falta de compromisso com o artigo 5 (que prevê a defesa comum). E defende que "é melhor continuar a apostar na NATO, mesmo que agora pareça complexo e caro, do que apostar numa alternativa".O representante especial da NATO lembrou que os EUA continuam a gastar mais de metade do que os outros aliados e que o elemento essencial continua a ser a "dissuasão nuclear", algo que ninguém quer que mude. A alternativa seria a proliferação nuclear, que ninguém deseja."Temos que continuar a trabalhar no vínculo transatlântico por mais complexo ou caro que seja", insistiu..Rajoy defende uma Europa alinhada com as democracias e não com as ditaduras