Keir Starmer, primeiro-ministro britânico.
Keir Starmer, primeiro-ministro britânico.EPA

Secretário da Defesa britânico demite-se e deixa críticas a Keir Starmer

John Healey diz que o primeiro-ministro não conseguiu "e o Tesouro não quis, comprometer os recursos de que a nação necessita para defender o país neste momento de crescentes ameaças".
Publicado a
Atualizado a

O secretário da Defesa britânico, John Healey, apresentou esta quinta-feira, 11 de junho, a sua demissão do governo de Keir Starmer, tendo deixado na carta que enviou ao primeiro-ministro críticas à forma como está a ser encarada a defesa do país "neste momento de crescentes ameaças".

"Esta nova era para a defesa exigiu mais investimentos através do Plano de Investimento em Defesa. O excelente e abrangente trabalho intergovernamental concluído em janeiro — supervisionado por si, por mim e pela chanceler [Rachel Reeves, que tem a pasta das Finanças] — confirmou a dimensão do desafio e as crescentes exigências em matéria de defesa", pode ler-se na carta que Healey enviou a Starmer e que tornou pública. "Desde então, não conseguiu, e o Tesouro não quis, comprometer os recursos de que a nação necessita para defender o país neste momento de crescentes ameaças."

Para Healey, que ocupava a pasta da Defesa desde o início do mandato desde governo, ou seja julho de 2024, "existem formas viáveis ​​de enfrentar os desafios de financiamento a médio prazo, trabalhando em conjunto com outras nações, como já fazem outros países europeus, para garantir a nossa capacidade de cumprir as missões do nosso governo trabalhista".

Dirigindo-se ainda a Starmer, o trabalhista refere ainda que primeiro-ministro britânico "sabe do que a defesa precisa". "Defendeu-o de forma convincente no seu discurso na Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro. Sem um Plano de Investimento em Defesa (DIP) que vá ao encontro das necessidades do momento, sou obrigado a tomar decisões que reduziriam a prontidão das nossas Forças Armadas, aumentariam o risco para o pessoal em operações e poderiam tornar o país menos seguro".

Este é mais um golpe na governação de Keir Starmer que, apesar de ter sido eleito em julho de 2024 com uma maioria esmagadora, tem sido protagonista nos últimos meses de uma grave crise política por causa da sua nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington, apesar das suas conhecidas ligações de décadas ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein.

Este escândalo já levou, por várias vezes, a que a oposição, mas também membros do Partido Trabalhista, pedissem a demissão de Starmer, que garante que vai cumprir o seu mandato até ao fim.

Em meados de maio, Starmer viu-se obrigado a nomear um novo secretário da Saúde, depois de Wes Streeting se ter demitido do cargo alegando afirmou ter "ter perdido a confiança" no primeiro-ministro como líder, defendendo a abertura de um debate sobre a futura liderança do Partido Trabalhista "com o melhor conjunto de candidatos".

Keir Starmer, primeiro-ministro britânico.
Starmer desafia críticos a lançar corrida à liderança. O que é preciso para o fazer?
Keir Starmer, primeiro-ministro britânico.
Ministro da Saúde britânico demite-se, mas ainda não avança para corrida à liderança do Partido Trabalhista
Diário de Notícias
www.dn.pt