Na semana passada, Moscovo direcionou a sua fúria contra os jornalistas estrangeiros. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, assegurou que iriam ser “tomadas medidas” contra os jornalistas ocidentais que entrassem na região russa de Kursk com as forças ucranianas. Além de ter aberto processos-crime contra sete profissionais da informação, foram visados, nos últimos dias, dois hotéis que costumam albergar jornalistas. Na noite de segunda-feira, um míssil russo destruiu o Hotel Aurora, em Kryvyi Rih, tendo morrido três pessoas e outra dada como desaparecida, além de causar cinco feridos. O hotel iria receber a equipa de futebol do Shaktar Donetsk, que vai jogar no domingo com a equipa local FC Kryvbas. Na noite anterior, tinha sido a vez do Hotel Sapphire, em Kramatorsk, onde foi morto o britânico Ryan Evans, um ex-militar que trabalhava como segurança para a equipa de reportagem da Reuters. No ataque dois jornalistas ficaram feridos, além de quatro outras pessoas. Para o presidente ucraniano, o ataque ao Sapphire foi “totalmente deliberado”. Os canais pró-russos afirmam que nos hotéis situados nas regiões de Donetsk, e Dnipropetrovsk estavam alojados mercenários e/ou instrutores da NATO. Mas a ameaça, mais ou menos velada, foi feita por Zakharova no Telegram, ao acusar os jornalistas de “envolvimento direto na execução de agressão híbrida em grande escala contra a Rússia”. Na mesma ocasião a porta-voz disse que iriam ser “tomadas medidas contra os infratores”. Na terça-feira, o FSB anunciou que iria avançar com dois processos-crime, elevando os casos a sete jornalistas. Se forem considerados culpados, os repórteres podem ser condenados até cinco anos de prisão. O FSB anunciou que os acusados serão, em breve, colocados numa lista internacional de procurados. Em fevereiro, após dois anos da invasão russa, os Repórteres Sem Fronteiras contabilizaram mais de 100 jornalistas vítimas de violência pelas forças russas, dos quais 11 morreram. Do lado ucraniano, 233 meios de comunicação foram obrigados a fechar. Já do lado russo, a legislação resultante da “operação militar especial” obrigou os poucos meios independentes a tomar a decisão de fechar portas ou de emigrar, caso do Novaya Gazeta, cujo diretor, Dmitry Muratov, foi laureado com o Nobel da Paz..Plano para a paz.Zelensky revelou que vai apresentar ao homólogo norte-americano, Joe Biden, um plano para a paz numa reunião em setembro. Disse que a proposta seria também apresentada à vice-presidente Kamala Harris e ao ex-presidente Donald Trump, os dois candidatos às eleições de novembro. Zelensky disse que a incursão em Kursk faz parte do que chamou de “plano de vitória” e disse que não está disponível a ceder territórios como parte de negociações de paz.