Marco Rubio e Luís Montenegro.
Marco Rubio e Luís Montenegro.FOTO:LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

Rubio descreve Portugal como "porta de entrada geográfica e económica" para as empresas dos EUA na Europa

Secretário de Estado dos EUA reuniu com o homólogo, Paulo Rangel, depois de encontro com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Portugal é a última paragem da viagem que o levou à Islândia e Grécia.
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O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que os EUA estão "ansiosos por aprofundar e fortalecer" a relação com Portugal, na primeira visita - que espera não seja a última - a Lisboa.

"Quase percebi tudo o que ele disse, porque é muito próximo do espanhol", afirmou Rubio na conferência de imprensa ao lado do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, após uma reunião no Palácio das Necessidades.

"Portugal e os EUA são aliados, aliados históricos, unidos por uma relação de longa data", disse Rangel, falando de um "parceiro estratégico".

Rubio destacou as relações na área da Defesa, enquanto aliados da NATO, destacando o compromisso que Portugal está a fazer para investir mais.

"Para que a NATO seja relevante, é necessário que seja forte. Para que a NATO seja forte, os seus Estados-membros precisam de ser fortes. Para que os Estados-membros da NATO sejam fortes, precisam de ter capacidades", afirmou.

Mas o secretário de Estado disse também que não quer centrar a relação apenas na área da Defesa, defendendo que no domínio económico Portugal tem um papel importante.

Falando por exemplo dos cabos submarinos ou dos centros de dados, Rubio disse que Portugal é um "ponto de entrada ideal, de um ponto de vista geográfico e económico, para as empresas tecnológicas norte-americanas na Europa".

"Aguardo com expectativa os futuros séculos de colaboração entre os EUA e Portugal, à medida que criamos uma aliança transatlântica mais segura e forte e promovemos um futuro mais próspero para os nossos povos", referiu.

Rubio mencionou também o número "impressionante" de turistas norte-americanos que vêm a Portugal, elogiando também os esforços que foram feitos no combate ao narcotráfico, com a apreensão nos últimos anos de 200 toneladas de cocaína.

Na resposta a uma questão sobre a eventual compra de caças F-35, Rangel disse que a decisão não está tomada e que "o Estado português decidirá sempre de acordo com o interesse nacional".

Rubio também disse que a decisão caberá ao governo português. "Nós achamos que devem comprar F-35, porque achamos que é o melhor do mundo", afirmou. "Eles vão decidir o processo pelo qual farão a escolha e só queremos a possibilidade de fazer a apresentação sobre porque achamos que o nosso é melhor".

"Um grande aliado"

Ainda antes de deixar a Grécia, segundo país do périplo europeu por aliados da NATO que começou na Islândia, Rubio tinha elogiado Portugal. Ao contrário do que aconteceu na vizinha Espanha, o Governo português autorizou o uso da base das Lajes, nos Açores, para as operações norte-americanas contra o Irão.

"O objetivo da nossa visita não é criar um problema com outro país", disse Rubio aos jornalistas, rejeitando querer comparar ou contrastar a posição portuguesa com a espanhola.

"Portugal é um grande aliado, um aliado muito cooperante dos EUA e um país com o qual já temos uma relação sólida e em crescimento. E visitamos estes países para reforçar esses laços. Esse é o propósito da viagem", acrescentou nas declarações citadas pelo Departamento de Estado.

A autorização portuguesa para o uso das Lajes foi "condicional", tendo o governo exigido que qualquer ação fosse uma resposta a um ataque, respeitasse os princípios da necessidade e proporcionalidade e não tivesse como alvo civis.

Contudo, o Bloco de Esquerda denunciou uma "grosseira violação do direito internacional e do direito português" e o Ministério Público anunciou na semana passada ter aberto uma investigação.

Marco Rubio não quis comentar o inquérito. Questionado sobre as críticas da Amnistia Internacional sobre o uso da base aérea, o secretário de Estado limitou-se a dizer: “É uma fraude. Deviam preocupar-se com as milhares de pessoas que morreram a sangue frio nos protestos no Irão”.

Sobre o uso da base das Lajes na guerra no Irão, Rubio disse que seguiu “os protocolos” e elogiou Portugal como “um grande aliado”.

“Temos protocolos que definem a nossa presença e respeitamo-los sempre”, afirmou. “Portugal tem sido um grande aliado e sempre o foi”, considerou Rubio, sublinhando que “nem todos os países” tiveram a mesma posição.

PCP diz que Rubio "não é bem-vindo"

O PCP, num comunicado, disse que "em defesa da Paz, da soberania, dos direitos, Marco Rubio, não é bem-vindo a Portugal!", alegando que a sua visita "expõe o vergonhoso alinhamento e subordinação do Governo PSD/CDS aos EUA" e "só poderá representar um ainda maior compromisso e envolvimento por parte do Governo português com os propósitos de domínio e a estratégia belicista do imperialismo norte-americano".

O PCP afirma ainda que Rubio "é um dos principais responsáveis pela criminosa política de confrontação, agressão e guerra promovida pelo imperialismo norte-americano, que ataca a soberania e os direitos dos povos e desrespeita abertamente os princípios da Carta da ONU e do direito internacional".

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