A Rússia rejeitou esta segunda-feira, 8 de junho, as propostas avançadas no dia anterior por Ucrânia e Europa com o objetivo de retomar as negociações para pôr fim à guerra, afirmando que Moscovo continua focada nos ganhos no campo de batalha. “Neste momento, tudo depende não das negociações, mas das ações dos nossos heróis na linha da frente”, declarou o líder da diplomacia russa.Para Sergei Lavrov, Moscovo tem dúvidas de que as negociações sejam possíveis após o que chamam de um novo acordo entre Londres, Paris e Berlim para apoiar a produção de armas para Kiev capazes de atingir alvos em território russo, numa referência ao encontro de domingo entre o ucraniano Volodymyr Zelensky, o britânico Keir Starmer, o francês Emmanuel Macron e o alemão Friedrich Merz. “Em Londres, os líderes do Reino Unido, da França e da Alemanha, juntamente com Zelensky, assinaram um documento sobre o apoio estratégico ao regime de Kiev e os preparativos para o envio de forças de ‘estabilização‘ - ou, por outras palavras, forças de ocupação - para o que restar da Ucrânia após o conflito. Concordaram ainda em fornecer à Ucrânia armamento adicional de longo alcance capaz de atingir alvos em território russo”, referiu o ministro. “Perante este cenário, não vejo como alguém possa falar seriamente em negociações”.Também o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a iniciativa europeia, alegando que os aliados de Kiev estão a a minar os seus próprios apelos à paz ao continuarem o apoio militar à Ucrânia. “Gostaria de salientar que Macron, Starmer e Merz estão todos a tentar falar sobre a paz. Ao mesmo tempo, enfatizam a sua intenção de auxiliar a Ucrânia na produção de novos tipos de armas para continuar a guerra”, declarou Peskov. “Não será isso uma contradição na sua retórica?”.Num comunicado conjunto divulgado no domingo assinado pelos quatro líderes, Starmer, Macron e Merz dizem ter reiterado a Zelensky “o seu apoio inabalável à Ucrânia na sua defesa contra a invasão ilegal da Rússia e aos próximos passos nas negociações para alcançar uma paz justa e duradoura”, salientando ainda “o importante papel que a Europa tem a desempenhar em qualquer acordo, como apoiante firme da Ucrânia”. Ao mesmo tempo, “saudaram os recentes sucessos ucranianos no campo de batalha, incluindo a recente libertação de território e a utilização inovadora da tecnologia de drones”.No documento, são ainda elencados cinco condições que têm de ser cumpridas entre Kiev e Moscovo para que haja uma “paz justa e duradoura”, em linha com o que já havia sido referido por Zelensky na carta que enviou na semana passada ao seu homólogo russo. Entre elas estão apelos para que Vladimir Putin aceite “um cessar-fogo imediato e completo”, bem como para que as negociações comecem “na atual linha de contacto”. A Ucrânia deve ter ainda “garantias de segurança robustas e juridicamente vinculativas em vigor assim que um cessar-fogo entre em vigor”, o que inclui o destacamento de uma força multinacional para fazer cumprir o cessar-fogo. A quarta condição exige uma compensação pelos danos causados pela Rússia, com os líderes europeus a prometerem que os bens russos permanecerão congelados até que Moscovo termine a guerra e pague uma restituição. Por fim, é referido que “os elementos de qualquer negociação relacionados com a UE e a NATO necessitariam do consentimento da UE e dos seus Estados-membros e aliados da NATO, respetivamente.”.Putin rejeita encontro proposto por Zelensky: "Não vejo sentido nisso"