O palco do Oslo Freedom Forum teve, quase em simultáneo, duas personalidades que detêm posições diametralmente opostas sobre a administração dos Estados Unidos. Enquanto a vencedora do Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, ofereceu a sua própria distinção ao presidente Donald Trump, o ator e ativista Richard Gere subiu ao palco e não mediu força às palavras. "Estamos a viver o momento mais negro que já experimentei neste planeta. Quem imaginaria que a América poderia transformar-se assim? Quem imaginaria que um maníaco como este se tornaria presidente dos Estados Unidos e desmantelaria todas as coisas boas?".Richard Gere é reconhecido, há muitas décadas, não apenas pelos seus filmes de sucesso, mas também pelo trabalho como ativista social. A sua fundação, The Gere Foundation, advoga em defesa do Tibete, pela libertação desta população face a perseguições pelo governo chinês.As declarações foram feitas poucos momentos depois da passagem de María Corina Machado pelo mesmo palco. No seu discurso, esta aumentou a pressão por novas eleições na Venezuela e afirmou reconhecer "o valor estratégico do plano dos Estados Unidos, elaborado com base em estabilização institucional, reconstrução económica e social e transição democrática". Antes, numa entrevista ao DN, a líder da oposição venezuelana tinha garantido o compromisso dos EUA com a execução de um novo plesbiscito..Após a presença em palco, Richard Gere recebeu um grupo de jornalistas para uma conversa, na qual o DN esteve incluído. Acompanhado por Tencho Gyatso, sobrinha do Dalai Lama e presidente da Campanha Internacional pelo Tibete, falou com paixão sobre a luta tibetana por liberdade. "Tibetanos vão pelo mundo a expressar com as suas mentes, os seus corações e os seus corpos a ideia de que existe outra forma de vivermos. Não precisamos de estar em constante conflito".Sobre as relações entre os EUA e a China, foi questionado sobre a possibilidade de o Tibete e Taiwan estarem a ser utilizados como moeda de troca após a cimeira do mês de maio entre os dois países. "Trump disse que sim. Ele é um completo idiota, vê as coisas de forma transacional, no momento presente, e o mundo não funciona dessa maneira. O mundo é subtil e complexo. Então é preciso ter uma mente subtil e complexa para compreender isso", afirmou. "Ele não vai estar por aí para sempre. Ele vai embora e o pêndulo vai oscilar de volta para um ponto de vista racional e, espero, sábio", completou o ator..Questionado pelo DN sobre um outro tema no qual a sua fundação também atuou, a proteção dos povos indígenas em risco de extinção, especialmente os que vivem na área da Amazónia no Brasil, o ator deixou uma mensagem sobre a importância da proteção destas populações."Há um grupo com o qual trabalhei muito de perto, chamado Survival International. E eles trabalham bastante na Amazónia para proteger os direitos dos povos indígenas. Em outubro, fizemos uma conferência de imprensa em Londres para falar sobre isso. E tivemos algumas pessoas maravilhosas do Xingu (área protegida no Brasil), da Amazónia, mas também do Peru, de outras culturas. Isso é extremamente importante, não apenas em termos dos povos indígenas tribais e a sua cultura, os seus direitos, direitos humanos, mas também os direitos dentro do direito civil", afirmou o ator.Richard Gere também destacou a importância ambiental da proteção dos povos indígenas. "Essas áreas também, em termos do planeta, são os pulmões da Terra, e precisamos proteger essas florestas. Esses povos indígenas entenderam isso, e eles têm que fazer parte de como isso é desenvolvido e protegido".*A jornalista viajou a convite do Oslo Freedom Forum.Entrevista. María Corina Machado tem "garantia" de que Portugal vai apoiar transição de regime na Venezuela.Detido colaborador de Maria Corina Machado ao regressar à Venezuela