O partido Vente Venezuela (VV), da líder da oposição Maria Corina Machado disse esta segunda-feira, 18 de maio, que as autoridades venezuelanas detiveram, no domingo, 17, o colaborador Ángel León, quando regressava ao país desde a vizinha Colômbia.Numa mensagem divulgada na rede social X, o VV começou por dizer que perdeu o contacto com o coordenador do Distrito Capital, Ángel León, quando este regressava à Venezuela por via terrestre.“De acordo com as informações de que dispomos, ele está detido no posto de controlo rodoviário situado na Troncal 5, no setor de La Pedrera, na estrada Táchira-Barinas”, explicou.Segundo o VV, “Ángel viajava acompanhado de outro cidadão que trabalha como taxista, o qual também se encontra detido”.“A ambos lhes foram retirados os documentos e os telemóveis. Responsabilizamos o regime pela integridade do nosso companheiro Ángel León e do seu acompanhante, e exigimos a sua libertação imediata, concluiu.. A detenção de Ángel León foi também denunciada pela sua companheira, Wilmary Mejías, num vídeo divulgado na plataforma Instagram.“O Ángel regressou hoje ao país por via terrestre para continuar o seu trabalho em prol da Venezuela e da democracia. A nossa filha de três anos espera a chamada do pai, que não é um criminoso. Responsabilizo o regime pela sua integridade e exijo a sua libertação imediata”, afirma Wilmary Mejías no vídeo.. Segundo a organização não-governamental (ONG) Justiça, Encontro e Perdão (EJP), em 14 de maio estão detidas, na Venezuela, 663 pessoas por motivos políticos, 86 delas mulheres e 577 homens.Entre os presos contam-se 27 cidadãos estrangeiros, cinco dos quais, segundo a comunidade lusa local, têm nacionalidade portuguesa.Entre os presos políticos estão 201 funcionários ativos dos organismos de segurança, um ativista e 360 civis. Também 31 representantes de organizações políticas, 39 antigos funcionários do Estado, três sindicalistas e um jornalista (em prisão domiciliária).“Entre o total (663) há 20 pessoas das quais não se tem informação oficial sobre o seu paradeiro. Além disso, contabilizámos 29 venezuelanos com dupla nacionalidade”, explicou a JEP num balanço divulgado nas redes sociais.Na quinta-feira, o coordenador-geral do Programa Venezuelano de Ação e Educação em Direitos Humanos (Provea), Óscar Murillo, denunciou que a Venezuela mantém violações às convenções internacionais e aos direitos de estrangeiros e cidadãos com dupla nacionalidade, incluindo os portugueses.“Estão a violar os Acordos de Genebra e as convenções internacionais. É um direito que cada cidadão com dupla nacionalidade tem de se dirigir a esse país [da segunda nacionalidade] para receber assistência consular. Isso não é um presente, não é uma concessão, é algo que está contemplado no Direito Internacional”, disse.Óscar Murillo explicou à Lusa que quando alguém é detido, as autoridades venezuelanas “devem notificar imediatamente o consulado”, sublinhando que “isso não tem acontecido e, além disso, tem sido negado, às pessoas, o direito à defesa”..Morreu mãe de preso político que morreu sob custódia do EstadoJornalistas, políticos opositores, advogados e ativistas confirmaram, no domingo, a morte de Carmen Teresa Navas, 82 anos, a mulher que durante mais de 16 meses denunciou que o filho, Víctor Hugo Quero Navas, estava desaparecido desde janeiro de 2025.A morte, por dificuldades respiratórias, teve lugar 10 dias após as autoridades venezuelanas confirmarem que Víctor Hugo Quero Navas tinha morrido sob custódia do Estado e depois de Carmen Teresa Navas mandar celebrar uma missa ao filho, na sexta-feira, na Igreja de La Candelária em Caracas, na qual participou.Entre os políticos que expressaram pesar está a líder da oposição Maria Corina Machado, para quem “não morreu apenas uma mãe", mas "uma mulher que transformou a dor em coragem e o desespero em denúncia”.“Durante meses, procurou o seu filho Víctor Hugo; percorreu prisões, tribunais e repartições de um Estado que lhe respondeu com silêncio, humilhação e mentiras. Nunca deixou de exigir a verdade. Nunca desistiu. Nunca deixou de lutar”, explicou na rede social X.. Segundo Maria Corina Machado, esta mulher deixa uma imensa lição de perseverança e dignidade.“Uma mulher com mais de 80 anos que enfrentou, sozinha e sem medo, todo um aparato de terror que queria apagar o seu filho e destruir a sua família”, conclui.Também na X, o opositor Leopoldo López recordou que Carmen Teresa Navas enfrentou silêncios, indiferença e olhares endurecidos pela burocracia e pela desumanização, mantendo-se de pé apenas pela esperança de encontrar justiça.“Partiu uma mãe marcada pelo sofrimento, pela angústia e pela ferida irreparável que deixou a morte do seu filho sob a custódia do Estado venezuelano (…) esta realidade deveria abalar a consciência de todo um país”, sublinhou.Por outro lado, a Plataforma Unitária Democrática (PUD), que reúne os principais partidos da oposição, convocou os venezuelanos, dentro e fora da Venezuela, para realizarem, pelo meio-dia local de hoje (15:00 horas em Lisboa) um minuto de silêncio em memória de “uma mãe que morreu esperando a verdade e justiça”.“Que este minuto de silêncio lembre ao mundo que há dores que não podem ser normalizadas e perguntas que continuam sem resposta”, explica.Organizações como o Comité Pela Libertação dos Presos Políticos (Clippve) solidarizaram-se com os familiares e destacaram o “símbolo de amor de uma mãe que nunca se rendeu”.“[Símbolo] também de resistência e dignidade perante a crueldade. A sua fé, coragem e luta incansável deixam uma marca indelével naqueles que se sentem acompanhados pelo seu exemplo e continuam a exigir verdade, justiça e liberdade (…) A sua memória reafirma o nosso compromisso com a verdade, a justiça, com o encerramento de todos os centros de tortura na Venezuela e a não repetição de tanta dor”, lê-se na mensagem do Clippve na X.Segundo o Programa Venezuelano de Ação e Educação em Direitos Humanos (Provea), Carmen Teresa Navas “faleceu este domingo 17 de maio de 2026 sem ter obtido justiça”.Em 07 de maio, as autoridades venezuelanas confirmaram a morte de Víctor Hugo Quero Navas (52 anos), que estava desaparecido desde que foi detido, em janeiro de 2025.“Em 15 de julho de 2025, foi internado no Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo, após apresentar hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda. Após 10 dias sob cuidados médicos, em 24 de julho de 2025 faleceu devido a insuficiência respiratória aguda secundária a trombo embolismo pulmonar”, explicou o Ministério do Serviço Prisional (MSP) num comunicado.Segundo o MSP, o detido esteve preso no El Rodeo I, prisão para onde se dirigia com frequência a mãe, à espera de notícias.Segundo a organização não-governamental (ONG) Justiça, Encontro e Perdão (EJP), na Venezuela estão detidas 663 pessoas por motivos políticos, 86 delas mulheres e 577 homens.