Nas últimas semanas, a pressão internacional por novas eleições na Venezuela tem ganhado força, com a líder da oposição, María Corina Machado, tendo confirmado que será candidata.Exilada no Panamá desde o início deste ano, depois de ter deixado a Venezuela sob forte esquema de segurança para viajar à Noruega, onde recebeu o Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado volta agora ao país para participar do Oslo Freedom Fórum, evento que reúne centenas de ativistas dos direitos humanos para discutir o combate a ditaduras pelo mundo.Durante a sua participação, nesta terça-feira, 2 de junho, a opositora do regime de Nicolás Maduro destacou a força dos venezuelanos, que esperam por uma transição desde que o presidente foi capturado pelos Estados Unidos, em janeiro, e reforçou a confiança na administração de Donald Trump para a marcação de novas eleições.A passagem pela capital norueguesa faz também parte de uma missão de pressão para garantir apoio junto à União Europeia. No mês passado, María Corina Machado esteve em Itália, Espanha e Portugal. Em entrevista ao DN antes de subir ao palco, a venezuelana afirmou que “a Europa está ao nosso lado e não apenas agora, ao longo deste processo. Estou muito grata ao parlamento europeu e a muitos governos”..Questionada sobre Portugal e a comunidade luso-venezuelana, que, segundo o Governo, ronda as 400 mil pessoas, começou por recordar um facto pessoal. "Eu sou descendente de Portugal", a apontar a sua origem, que remonta há emigrantes que se fixaram na Venezuela há vários séculos. "Tive um ótima conversa com o primeiro-ministro [Luís] Montenegro em Lisboa, com a sua equipa e com o Ministro dos negócios Estrangeiros. Foi uma oportunidade muito importante para termos a garantia de que vão apoiar uma transição democrática na Venezuela. Não é apenas o que os portugueses na Venezuela querem desesperadamente, mas os venezuelanos que regressaram a Portugal também", afirmou.Sobre a situação na Venezuela, María Corina Machado garantiu que está "sempre em contacto" com as pessoas naquele país e que, por isso, o processo desencadeado pelos Estados Unidos deve continuar. “As coisas estão a avançar na Venezuela. O regime está a tomar decisões para desmantelar a sua própria estrutura repressiva e de corrupção, mas se não sentirem a pressão, se as pessoas ignorarem, voltarão a fazer o que costumavam fazer”.A opositora do regime já recebeu o apoio do ex-candidato opositor Edmundo González, que perdeu em 2024, mas contestou os resultados. Até agora, segundo María Corina Machado, mais de 600 presos políticos foram libertados. “Estamos a ver sindicatos, trabalhadores, professores, mães e estudantes a regressar às ruas. Os meus colegas de diferentes partidos políticos que estavam escondidos ou a viver no exílio estão a regressar. Portanto, as coisas estão a avançar mais rapidamente na Venezuela do que pode parecer visto de fora”, completou.Questionada sobre o compromisso da administração de Donald Trump com este processo, já que o próprio presidente tem elogiado a gestão da sucessora de Maduro, a sua vice Delcy Rodríguez, Machado respondeu que “sim”, que sente o apoio, e recordou o plano de três fases apresentado pelo secretário de Estado Marco Rubio. “Foi dito de maneira pública e privada. A primeira fase foi a estabilização e ele (Rubio) disse recentemente que foi terminada. A segunda é a recuperação e a terceira é a transição para a democracia, essas duas últimas podem sobrepor-se”.María Corina Machado ainda desafiou Delcy Rodríguez. “Essa é uma situação ganha-ganha. Em termos de segurança, de paz, energia, migração. Uma transição ordenada na democracia venezuelana é o que todos querem e é até a melhor oportunidade que Delcy Rodríguez tem agora. Ela pode acabar como Maduro ou pode facilitar a transição", declarou.*A jornalista viajou a convite do Oslo Freedom Forum.Montenegro diz que Venezuela vive "transição democrática" e espera eleições livres em breve.María Corina Machado reúne com a direita espanhola em Madrid, mas rejeita encontro com Sánchez