Luís Montenegro com María Corina Machado em São Bento
Luís Montenegro com María Corina Machado em São BentoLeonardo Negrão

Montenegro diz que Venezuela vive "transição democrática" e espera eleições livres em breve

Primeiro-ministro saudou a libertação do cidadão luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, detido desde setembro de 2022, e que foi conhecida na noite de terça-feira.
Publicado a
Atualizado a

O primeiro-ministro português considerou esta quarta-feira, 22 de abril, que o atual momento político na Venezuela é “de transição democrática” e disse esperar que em breve haja eleições “absolutamente livres”, após receber a líder opositora e Nobel da Paz.

Luís Montenegro, que se encontrou ao início da tarde com María Corina Machado, na residência oficial, em São Bento, saudou a libertação do cidadão luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, detido desde setembro de 2022, e que foi conhecida na noite de terça-feira.

Em declarações à imprensa após o encontro, que durou cerca de 40 minutos, o primeiro-ministro disse ter transmitido a posição do Governo português de que “esta circunstância que se atravessa no país possa ser um momento de transição democrática”.

“E que, no mais curto espaço de tempo, as pessoas que se encontram exiladas possam regressar ao país, como é o caso dela [María Corina], e possa ser realizado um ato eleitoral onde, de forma absolutamente livre, o povo venezuelano possa escolher o seu futuro e todas as oportunidades que o país tem possam ser usufruídas pelo seu povo”, acrescentou.

A Venezuela é atualmente liderada pela Presidente interina, Delcy Rodríguez, antiga vice-presidente de Nicolás Maduro, capturado em 03 de janeiro pelos Estados Unidos.

O encontro, referiu Montenegro, decorreu “com um espírito de grande esperança e um sentido de partilha” e sobretudo “perspetivando um futuro para a Venezuela, que deve passar por uma solução democrática, livre, onde os venezuelanos podem decidir o seu futuro”.

Esse é também o interesse da comunidade portuguesa, com mais de 400 mil portugueses e lusodescendentes, salientou o chefe do Governo, que referiu que “muitos” estão hoje em Portugal ou noutros países por “não encontrarem nesta ocasião a estabilidade e a segurança para poderem estar no território venezuelano”.

Sobre presos políticos, o primeiro-ministro manifestou “satisfação por mais uma libertação”, mas recordou que “ainda há compatriotas nessas circunstâncias”, bem como “várias centenas” de outras pessoas.

Em vários casos, lamentou, as pessoas estão detidas por “delitos comuns”, mas isso serve para ocultar “uma motivação política”.

Montenegro manifestou-se convicto de que “fará parte deste processo de transição democrática que haja uma libertação para que o país possa funcionar com liberdade, com espírito democrático”.

María Corina Machado foi impedida de concorrer às presidenciais de julho de 2024, e a oposição apoiou Edmundo González Urrutia, que reclamou vitória, mas as autoridades eleitorais atribuíram um terceiro mandato a Nicolás Maduro.

Edmundo González está exilado em Espanha desde setembro de 2024, enquanto María Corina se mantinha escondida na Venezuela, de onde saiu em dezembro, com ajuda dos Estados Unidos, para receber o prémio Nobel da Paz 2025 em Oslo, Noruega.

María Corina Machado não prestou declarações.

Luís Montenegro com María Corina Machado em São Bento
"Queremos estagnar ou avançar?" Montenegro diz que só razões políticas impedirão acordo sobre lei laboral

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt