Ambulâncias de organização judaica incendiada em Londres.
Ambulâncias de organização judaica incendiada em Londres. EPA/ANDY RAIN

Quem é o grupo que se suspeita estar por trás dos ataques a alvos judeus na Europa?

Harakat Ashab al-Yamin al-Islamia estará ligado ao Irão. Símbolo semelhante ao do Hezbollah e dos Guardas da Revolução.
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Uma explosão numa sinagoga em Liège, na Bélgica, a 9 de março, e outra, cinco dias depois, no exterior de uma escola judaica em Amesterdão, nos Países Baixos. Um ataque incendiário em Londres contra quatro ambulâncias da Hatzola, uma organização não-governamental da comunidade judaica, na passada segunda-feira (23 de março). Estes são três de pelo menos seis ataques contra alvos judeus na Europa só este mês que se acredita serem da autoria do grupo Harakat Ashab al-Yamin al-Islamia (Companheiros da Direita).

“Embora a maioria dos ataques tenha causado danos materiais em vez de vítimas, os analistas acreditam que o seu principal objetivo era o impacto psicológico, a intimidação das comunidades judaicas e a disseminação de mensagens de propaganda”, lê-se num relatório publicado na terça-feira (24 de março) pelo Ministério da Diáspora de Israel, que apela ao reforço da vigilância junto das comunidades judaicas e a uma maior coordenação com as autoridades locais.

A suspeita é de que este grupo tenha ligações ao Irão, já que vídeos dos ataques e reivindicações circularam rapidamente em canais Telegram ligados a redes xiitas e a contas pró-iranianas. Mas há também quem alegue que este não é um novo grupo, mas esteja ligado à milícia iraquiana Harakat Ansar Allah al-Awfiya (designada terrorista pelos EUA em 2024 e conhecida também como Ashab al-Yamin), cujo líder foi morto numa operação dos EUA e de Israel a 28 de fevereiro.

O relatório aponta para a semelhança do símbolo do grupo - um braço erguido a segurar uma espingarda que aponta para a direita com um globo atrás - com o de outros grupos ligados a Teerão, como o libanês Hezbollah, ou até o próprio Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. A diferença é que em vez de uma AK-47 a arma é uma Dragunov. “Os analistas sugerem que esta diferença pode ser intencional, servindo como tática para criar uma negação plausível e obscurecer a atribuição direta”, dizem.

“Esta nova organização parece ser uma tendência crescente na Europa”, disse o ministro da Diáspora israelita, Amichai Chikli, num briefing online na terça-feira (24 de março) organizado pela Associação de Imprensa Europa-Israel (EIPA) e pela Associação de Imprensa Americana do Médio Oriente (AMEPA).

“E quando começam a queimar sinagogas e ambulâncias sabemos o que se segue, porque vimos o mesmo padrão na Austrália. Primeiro incendiaram sinagogas e eventualmente temos a praia de Bondi, com 15 inocentes a serem massacrados num evento do Hannukah”, referiu.

“Estamos extremamente preocupados com o que estamos a ver agora na Europa”, disse o ministro, que considera contudo que o próximo grande ataque será no Canadá, onde tem havido vários tiroteios e onde suspeita que a Guarda Revolucionária esteja ativa. “Parece que os terroristas no Canadá estão mais bem equipados e as forças de segurança da comunidade judaica não estão autorizadas a andar armada”, lembrou.

Chikli é muito crítico dos “governos progressistas”, considerando que há uma “clara correlação” entre estes e “o aumento do antissemitismo” - apontando o dedo à política de portas abertas à imigração e ao reconhecimento do Estado Palestiniano no seguimento dos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e quando ainda havia reféns israelitas na Faixa de Gaza.

“Talvez não seja politicamente correto dizer, mas há um problema grave com o Islão Radical que não opera num vácuo, mas em comunidades fechadas que não se querem integrar”, disse. “O multiculturalismo destruiu a Europa. É uma catástrofe e não acho que alguns países consigam recuperar o controlo."

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