Quem é Fatima El Mansouri, a primeira mulher nomeada chefe de governo em Marrocos?
Fatima El Mansouri, líder do Partido Autenticidade e Modernidade (PAM, centro-esquerda), foi recebida nesta terça-feira por Mohammed VI no palácio real, em Rabat. Na sequência do resultado das eleições legislativas de dia 23, nas quais o PAM obteve 97 dos 395 assentos parlamentares, o rei encarregou El Mansouri de formar governo. Será a primeira mulher a ocupar o posto em Marrocos. Para o politólogo Mustapha Sehimi, citado pelo Le Monde, é uma escolha "disruptiva".
Perante o resultado das eleições, este é o desenvolvimento expectável. Mas havia outros cenários. Por exemplo, em julho, o jornal francês Le Monde adiantava que, numa manobra atribuída ao palácio real, o popular presidente da Federação Marroquina de Futebol e secretário de Estado do Orçamento Fouzi Lekjaa seria com grande probabilidade o próximo primeiro-ministro, depois de este ter aderido ao PAM.
Fatima El Mansouri, de 50 anos, começou a dar nas vistas ao ser eleita presidente da Câmara da sua Marraquexe natal, em 2009. Foi a segunda mulher à frente de uma autarquia marroquina. "Mulher, jovem, moderna, mãe de dois filhos, educada na escola francesa, mas profundamente ligada à cultura marroquina, ela representa na perfeição a nova geração de políticos que o partido quer ver emergir", lia-se, em 2010, num perfil da revista Jeune Afrique. Acreditava então em governar pelo exemplo e fazia questão de que o seu salário fosse atribuído aos outros funcionários.
A nova primeira-ministra começou por seguir o percurso do pai, advogado, ao formar-se em Direito, na Universidade de Montpellier. Teve um escritório especializado em direito imobiliário. Ao entrar na política acabaria por se sentar no mesmo gabinete do pai, que durante oito anos foi paxá de Marraquexe. Voltou a ser eleita autarca em 2021, depois de um interregno em que foi deputada e ascendeu na estrutura do partido. Nesse mesmo ano passou a acumular as funções com a de ministra do Ordenamento do Território.
Coordenadora da direção do PAM desde 2024, a sua escolha, apesar de seguir o que está previsto constitucionalmente — o rei confiar ao líder do partido mais votado a missão de chefiar um executivo — não deixa de ser uma marca no que é visto como uma "atmosfera de fim de reinado que impregna Marrocos", nas palavras do jornalista Omar Brouksy, citado pelo Le Monde.
Fatima El Mansouri junta-se a um número restrito de mulheres chefes de governo, e mais restrito ainda no continente africano: Sarra Zaafrani Zenzri, na Tunísia, e Judith Suminwa, na República Democrática do Congo.


