Mais importante que tentar adivinhar percentagens e quem ganha, e perde nas legislativas desta quarta, 23, em Marrocos, é perceber o actual “ambiente de negócios”, fruto da circunstância. E qual é a circunstância?
Primeiro, celebrou-se este ano 27 anos de reinado Mohamed VI, o que dá um filtro de fim de ciclo, de Tânger a Lagouira. Nesta frequência, os súbditos/as, não trocam de voto, ou não votam.
Segundo, é o facto de o ainda primeiro-ministro (PM), Aziz Akhannouch, ter, em janeiro, anunciado que não seria candidato em Setembro. Esta surpresa, provocou o “e agora?”, no RNI – Reunião Nacional dos Independentes, que encabeça a coligação governamental, com PAM – quando a Autenticidade encontra a Modernidade, e o Istiqlal – Independência, desde 1937.
Uma terceira circunstância, que também vem de longe, é o facto de o sistema eleitoral marroquino ter sido pensado, concebido e aplicado pelo segundo rei do Marrocos independente, Hassan II, pai de Mohamed VI e avô do futuro Hassan III, oxalá!
Ainda dentro desta terceira circunstância, ter presente que o método de Hondt, o modelo matemático que transforma votos em percentagens/mandatos, permite ajustes (previstos e matematicamente honestos), cuja escolha, no caso marroquino, favorece a pulverização pelos pequenos partidos. Isto é fundamental para uma inclusão, que permite depois um “dividir para reinar”!
Dito isto, a conclusão é a seguinte:
— o sistema eleitoral marroquino, com 395 deputados está preparado para que os governos sejam sempre coligações de três/quatro partidos, forma de se conseguir a maioria parlamentar, que o sustentará. Perante isto, a taxa de abstenção, deverá definir uma continuidade, que poderá ser também mobilizadora, apesar de o tempo parecer agora suspenso, passados 27 anos. Como?
A crescente possibilidade do próximo PM marroquino, ter ligações ao futebol, depende, de facto, da vitória do PAM, mas Fouzi Lekjaâ, pr. da Fed. Marroquina de Futebol, e recém-sócio dos “autênticos e modernos”, reúne condições para a mobilização do voto no seu partido, aumentando a possibilidade de, finalmente, o partido que germinou do Movimento Para Todos os Democratas (2008), do agora conselheiro da “Távola Redonda MVI”, Fouad Ali El Himma, “ganhar a eleição de 2011”, que perdeu para os “barbudos”!
Depois, há que seguir a Constituição, que isto é uma democracia! O artigo 47.º da Constituição, não define o secretário-geral do partido vencedor, enquanto PM. A obrigatoriedade, a regra, é a proveniência partidária do nomeado a PM, e não o posto que ocupa no partido.
Fouzi Lekjaâ, arrisca-se, de facto, a assumir o cargo de Gestor Nacional, após 12 anos de boa gestão do futebol marroquino. Bon Courage Sahbi!
Escreve de acordo com a antiga ortografia