O presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou esta sexta-feira (5 de junho) a possibilidade de um encontro presencial com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerando que, para já, não existe qualquer utilidade em avançar para negociações diretas ao mais alto nível.Questionado durante o Fórum Económico Internacional de São Petersburgo sobre a carta enviada por Zelensky a propor uma reunião entre ambos, Putin respondeu de forma lacónica: “Até ao momento, não vejo sentido nisso”.O líder russo aproveitou ainda a ocasião para reafirmar que Moscovo pretende prosseguir a ofensiva militar até cumprir os objetivos definidos para a invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. “Partimos do princípio de que as hostilidades terminarão um dia. E, sem dúvida, cessarão quando tivermos alcançado os objetivos que definimos para nós próprios”, declarou.Segundo o diário espanhol El País, Putin minimizou a iniciativa diplomática de Zelensky, afirmando que apenas leu brevemente a carta e reiterando que apenas admite reunir-se com o presidente ucraniano para formalizar um acordo final de paz. Além disso, o Kremlin continua a questionar a legitimidade política de Zelensky devido à ausência de eleições na Ucrânia desde o início da guerra.A resposta russa mereceu uma reação imediata de Kiev. Numa mensagem divulgada na rede Telegram, Zelensky classificou a posição de Moscovo como “fraca” e acusou Putin de não querer pôr fim ao conflito: “Infelizmente, a parte russa opta novamente pela guerra. Uma resposta fraca. Ele simplesmente não quer pôr fim à guerra.” Zelensky acrescentou que a atitude do Kremlin demonstra que “não quer mudar nada” e voltou a defender um aumento da pressão internacional sobre a Rússia.No dia anterior, Zelensky tinha publicado nas redes sociais o convite a Putin para um diálogo entre ambos para colocar fim à guerra. “A decisão é sua. Basta desta guerra. [...] A Ucrânia propõe o fim desta guerra através de um diálogo direto entre nós os dois. Proponho um encontro”, escreveu Zelensky. “A linha da frente aos dias de hoje é onde a diplomacia deve começar”, acrescentou o líder ucraniano.Recusada por Putin, a proposta de diálogo direto apresentada por Zelensky recebeu o apoio das instituições europeias. No final da cimeira entre a União Europeia e os Balcãs Ocidentais, os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestaram apoio à iniciativa. Von der Leyen considerou que a carta enviada por Zelensky demonstra que “ninguém quer mais a paz do que o povo e o presidente da Ucrânia”..Ucrânia dá passo decisivo no seu caminho para a adesão à UE.Ucrânia deseja o fim da guerra antes do próximo inverno