"Seria possível reunir num terceiro país, mas apenas se se alcançar um acordo definitivo sobre um tratado de paz", disse Putin.
"Seria possível reunir num terceiro país, mas apenas se se alcançar um acordo definitivo sobre um tratado de paz", disse Putin.EPA/MAXIM SHIPENKOV / POOL

Putin afirma que conflito na Ucrânia entra na fase final e abre porta a reunião com Zelensky

Presidente russo criticou os países ocidentais pelo seu apoio a Kiev, manifestando ainda disponibilidade para encontrar-se com o homólogo ucraniano.
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O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou este sábado, 09 de maio, que a guerra na Ucrânia "está a chegar ao fim", criticando os países ocidentais pelo seu apoio a Kiev. Putin também manifestou a disponibilidade para encontrar-se com o homólogo ucraniano.

"Começaram a intensificar o confronto com a Rússia, que continua até hoje. Acho que isto está a chegar ao fim, mas a situação continua grave", respondeu Putin a uma questão sobre se a ajuda ocidental à Ucrânia estava a ir longe demais.

Nas mesmas declarações a jornalistas, o Presidente da Rússia disse estar disposto a reunir-se com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, num terceiro país, embora tenha colocado como condição que haja sobre a mesa um acordo definitivo de paz para pôr fim ao conflito com Kiev.

"Seria possível reunir num terceiro país, mas apenas se se alcançar um acordo definitivo sobre um tratado de paz, que deverá ser desenhado com uma perspetiva a longo prazo", declarou à imprensa, segundo a agência de notícias russa TASS, citada por outras agências internacionais.

Putin falou também sobre a troca de prisioneiros anunciada na sexta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmando que a Rússia ainda não recebeu qualquer proposta da Ucrânia. "Contamos com a parte ucraniana para responder à proposta feita pelo Presidente dos Estados Unidos. Infelizmente, até hoje ainda não recebemos qualquer proposta", afirmou.

Ex-chanceler alemão Gerhard Schröder é preferido

Vladimir Putin já tinha hoje falado sobre possíveis negociações de paz, envolvendo a União Europeia, e expressou nesse contexto a sua preferência pelo ex-chanceler alemão Gerhard Schröder, considerado próximo do líder russo, para liderar essas possíveis negociações.

Segundo Putin, citado pela TASS em declarações à imprensa por ocasião das celebrações do Dia da Vitória, a Europa procura obter "ganhos" ao fornecer assistência tecnológica a Kiev. "Mas a julgar pelo que acabaram de dizer, também procuram contactar-nos: entendem que esta aposta pelos ganhos poderia ter um custo elevado", disse Putin.

O líder russo falava depois de declarações do presidente do Conselho Europeu, António Costa, de que a União Europeia não quer "perturbar" a iniciativa liderada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para levar a paz à Ucrânia, mas mostrando-se a favor de dialogar com Moscovo para aplainar desentendimentos, especialmente em matéria de segurança.

Esta não é a primeira vez que o antigo chanceler alemão Gerhard Schröder é referido num contexto de possíveis negociações para o fim da guerra lançada pela Rússia contra a Ucrânia. Em agosto de 2022, Schröder fez uma visita a Moscovo, após a qual disse que a Rússia queria uma “solução negociada” para o conflito na Ucrânia.

“A boa notícia é que o Kremlin quer uma solução negociada”, disse na ocasião Schröder, numa entrevista ao semanário Stern, na qual confirmou ter-se encontrado com Vladimir Putin, em Moscovo, dias antes. O antigo chanceler alemão foi duramente criticado na altura pela sua família política, o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), por causa dos seus laços com Putin, que o antigo chanceler defende não ter motivos para quebrar.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia contra a Ucrânia levou-o, contudo, a recusar um lugar no conselho de administração do consórcio russo Gazprom para o qual tinha sido nomeado meses antes e deixar também a presidência do conselho de administração da petrolífera russa Rosneft, cargo que ocupava desde 2017.

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