Presidente da Ucrânia discursou na conferência de Munique
Presidente da Ucrânia discursou na conferência de MuniqueRONALD WITTEK/EPA

Zelensky acusa EUA de pedirem demasiadas vezes “concessões” à Ucrânia, mas não à Rússia

O presidente da Ucrânia pediu ainda a Donald Trump e ao Congresso norte-americano que aprovem o mais rápido possível as garantias de segurança pós-guerra que Washington negociou com Kiev.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou este sábado (14) que os Estados Unidos têm pedido “demasiadas vezes” concessões a Kiev, e raramente a Moscovo, numa altura em que se preparam novas negociações de paz na próxima semana, em Genebra.

A declaração foi feita durante a Conferência de Segurança de Munique, onde Zelensky manifestou esperança de que as conversações tripartidas entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos sejam “sérias e substanciais”. Ainda assim, deixou um aviso: “Honestamente, por vezes parece que as partes estão a falar de coisas completamente diferentes.

As delegações deverão reunir-se na cidade suíça na terça e na quarta-feira, numa nova tentativa de pôr fim à guerra desencadeada pela invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.

“As concessões são sempre sobre a Ucrânia”

Zelensky foi claro quanto ao papel de Washington no processo negocial. “Os americanos regressam frequentemente ao tema das concessões e, demasiadas vezes, essas concessões são discutidas apenas no contexto da Ucrânia, não da Rússia”, afirmou na conferência de Munique, um dia depois de Donald Trump ter apelado a que Kiev não perdesse a “oportunidade” de fazer a paz, instando o líder ucraniano a “avançar”.

Zelensky contrapôs que quer ouvir quais os compromissos que Moscovo está disposta a assumir. “A Ucrânia já fez muitas concessões”, sublinhou, citado pela agência Reuters.

O principal bloqueio mantém-se: o território. A Rússia exige que a Ucrânia ceda os 20% restantes da região oriental de Donetsk que ainda controla, numa exigência que Kiev recusa liminarmente. Em alternativa, o presidente ucraniano disse estar disponível para discutir uma proposta dos EUA que prevê a criação de uma zona económica livre na região, mantendo congelada a restante linha da frente, que se estende por cerca de 1.200 quilómetros.

Ao lado de Zelensky, o chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, sintetizou as opções: “Ou mantemos as atuais linhas de controlo, ou avançamos para uma zona económica livre.”

O presidente da Ucrânia pediu ainda a Donald Trump e ao Congresso norte-americano que aprovem o mais rápido possível as garantias de segurança pós-guerra que Washington negociou com Kiev.

"Temos acordos sólidos prontos para serem assinados com os EUA e com a Europa. Acreditamos que o acordo sobre garantias de segurança deve vir antes de qualquer acordo para pôr fim à guerra", disse Zelensky no seu discurso na Conferência de Segurança de Munique.

Mais sanções e mais armas

O líder ucraniano apelou também a um reforço do apoio ocidental, quer através de sanções mais duras contra Moscovo, quer com o envio de mais armamento para a Ucrânia.

Recordando que há quatro anos discursou na mesma conferência dias antes da invasão em larga escala, o chefe de Estado ucraniano criticou o que considera ser excesso de palavras e falta de ação por parte dos parceiros.

E voltou a defender que um cessar-fogo é “essencial” para realizar um referendo sobre qualquer eventual acordo de paz, ou eleições nacionais, como têm requerido russos.

 O presidente ucraniano lamentou também o papel secundário da Europa nas atuais negociações. “A Europa praticamente não está presente à mesa. É um grande erro, na minha opinião”, afirmou.

Enquanto as discussões diplomáticas prosseguem, a guerra continua no terreno. A Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes do Donbass, e tem intensificado ataques aéreos contra cidades e infraestruturas energéticas, deixando milhares de civis sem aquecimento num inverno particularmente rigoroso.

Com a ronda de negociações de Genebra à vista, Zelensky insiste que a paz não pode ser construída apenas à custa de Kiev. “Queremos uma paz justa”, tem repetido.

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