Vladimir Putin admitiu pela primeira vez que a Rússia está a enfrentar um “certo défice” de combustível, numa altura em que a Ucrânia tem vindo a atacar infraestruturas energéticas russas, nomeadamente refinarias, obrigando várias regiões, como a Crimeia, a implementar um inédito racionamento.“Infelizmente, ainda há filas nos postos de abastecimento de combustível, e nem sempre o tipo de gasolina adequado está disponível”, afirmou o presidente russo numa entrevista transmitida no domingo à noite pela televisão estatal. “Além disso, no interesse dos consumidores domésticos, foi imposta temporariamente uma proibição total da exportação de gasolina e combustível de aviação. Está também a ser considerada a necessidade de uma proibição total das exportações de gasóleo”.Putin admitiu que estas falhas no abastecimento se devem aos ataques da Ucrânia - “claro, criam problemas, isso é óbvio” -, mas tentou minimizar o problema, garantindo que “neste momento, estamos a observar uma certa escassez, mas ela não é crítica”.Para o líder russo, estes ataques são uma tentativa de “provocar uma divisão na sociedade russa e forçar a Rússia a interromper, ainda que brevemente, o avanço das nossas tropas ao longo da linha de contacto, e criar condições para iniciar um processo de negociação em termos vantajosos para o nosso adversário”. Mas garantiu que estes não terão “absolutamente nenhum efeito na situação na frente”.No domingo, Volodymyr Zelensky anunciou que Kiev tinha atingido mais duas refinarias russas - uma na região de Krasnodar, a cerca de 300 quilómetros da linha de frente, e outra na região de Yaroslavl, a cerca de 700 quilómetros da fronteira da Ucrânia - afirmando que “cada um dos nossos ataques de longo alcance reduz os recursos que alimentam a máquina de guerra russa e é mais um passo para a paz”.Analistas indicam que os ataques ucranianos reduziram a capacidade de refinação de petróleo da Rússia em cerca de um quarto, gerando um défice de oferta no mercado interno de combustíveis de cerca de 15%. “A resiliência da indústria petrolífera russa está a ser levada a um limite perigoso”, escreveu Sergei Vakulenko, analista do Carnegie Russia Eurasia Center. .Rússia nega escassez de combustíveis apesar do aumento da procura .Kiev aperta cerco à Crimeia para pressionar a Rússia.Drones ucranianos visam Moscovo e atingem refinaria em ataque de "grande escala". Uma "resposta justificada", diz Zelensky