O que está em jogo nas eleições autonómicas na Andaluzia do próximo domingo (17 de maio)?Os mais de 6,8 milhões de eleitores andaluzes elegem os 109 deputados do Parlamento da Andaluzia, que depois são responsáveis por eleger o líder do governo autonómico. O Partido Popular (PP) conseguiu em 2022 uma maioria absoluta, tendo 48% dos votos e elegendo 58 deputados, com Juanma Moreno a ser reeleito presidente da Junta. Quatro anos antes tinha precisado do apoio do Ciudadanos e do Vox para conseguir derrotar os socialistas, que governaram a região durante mais de 30 anos.O que dizem as sondagens? As sondagens dão todas a vitória ao PP e a Moreno, com pelo menos duas a prever inclusivamente que irá repetir a maioria absoluta de 2022. Outras quatro admitem essa mesma maioria, mas nas previsões mais conservadoras deixam o partido dependente de uma aliança com o Vox - como já acontece nas outras três comunidades que foram a votos nos últimos meses: Extremadura (21 de dezembro), Aragão (8 de fevereiro) e Castela e Leão (15 de março). Apesar dos números positivos, Moreno avisa os eleitores que “a maioria absoluta não está garantida”, pediu “prudência” e apelou à participação de todos. O PSOE, que apostou na candidatura da ex-ministra das Finanças María Jesús Montero, arrisca ter o pior resultado de sempre na Andaluzia, com a maioria das sondagens a dizer que nem chegará aos 30 deputados que tem agora. E o Vox?A Andaluzia foi palco, em 2018, do primeiro grande resultado eleitoral do partido de extrema-direita, que se estreou num parlamento autonómico ao eleger 12 representantes. Há quatro anos, o Vox tornou-se no terceiro maior partido na região, elegendo 14 deputados. As sondagens dizem que deverá melhorar o resultado no domingo, podendo ganhar entre três e cinco representantes. Ainda assim aquém do que era esperado há uns meses. A esperança do candidato do Vox, Manuel Gavira, é que o PP não tenha a maioria absoluta e dependa dos seus votos. Numa entrevista à rádio Canal Sur, Gavira disse ter “a mão sempre estendida” para o PP, deixando contudo claro que “não vai oferecer” os votos. Também não vai “pedir a lua”, disse, falando na ideia de que os andaluzes devem ter prioridade quando se trata de aceder a ajudas sociais ou a habitação - o conceito de “prioridade nacional” que já impôs na Extremadura, mas que tem leitura diferente para PP ou Vox.Os socialistas arriscam o pior resultado de sempre na Andaluzia. E o resto da esquerda?A esquerda à esquerda do PSOE voltou a unir-se para concorrer a estas eleições. A coligação Pela Andaluzia, que inclui entre outros o Sumar, o Podemos e a Esquerda Unida e apostou na candidatura de Antonio Maíllo, teria cinco a sete deputados, segundo as sondagens. E ficaria em princípio à frente da formação de esquerda regional Avante Andaluzia que pode ter entre quatro e seis. O sucesso ou não da aliança Pela Andaluzia poderá eventualmente ditar o futuro de uma aliança de esquerdas a nível nacional para as legislativas que estão previstas só no próximo ano. Que outras leituras nacionais terão estas eleições?O PP aposta numa maioria absoluta e num desaire do PSOE para continuar a atacar o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, com Moreno a alegar até que esse resultado o forçaria a antecipar as eleições - devido à revolta dentro do próprio partido. O líder socialista tem reiterado que vai cumprir o mandato até ao fim e será candidato nas próximas eleições. Já o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, quer que a Andaluzia se torne numa força motriz para tirar Espanha do “apagão” de “mentiras, incompetência e corrupção” em que o governo de Sánchez mergulhou o país. Qual é o principal problema para os eleitores andaluzes?As questões de Saúde marcaram a campanha, até porque este é considerado o principal problema para 40,7% do eleitorado andaluz (em especial para o de esquerda). Seguem-se as questões do acesso a habitação e o desemprego, segundo uma sondagem do Centro de Estudos Andaluzes. Os socialistas tentaram usar esse tema contra Moreno, nomeadamente a polémica com as mamografias feitas pelo sistema regional de saúde - as pessoas que tinham resultados duvidosos ou inconclusivos não eram avisadas de imediato, só descobrindo quando eram chamadas a repetir o exame (muitos meses depois) - ou o facto de cada vez mais andaluzes estarem a contratar seguros de saúde privados. O PSOE tem apelado aos eleitores que votem “pela saúde pública e contra o vírus da privatização”. O presidente da Junta defende-se alegando que o investimento em saúde tem vindo a aumentar ao longo dos anos e beneficia porque, segundo a sondagem, os eleitores acreditam que é o PP o melhor colocado para lidar com o problema - e não a esquerda.Que outros temas marcaram a campanha?Uma tragédia marcou a campanha: a morte de dois agentes da Guardia Civil numa colisão entre duas lanchas que perseguiam uma outra de narcotraficantes. A candidata socialista causou polémica quando, no último debate, falou do caso como “acidente de trabalho”, desencadeando os protestos das associações policiais, além do PP e do Vox. A candidata acabou por corrigir as suas declarações nas redes sociais: “É claro que estamos a falar de mortes em serviço.”.Espanha: PP à beira da maioria absoluta na Andaluzia