Português recorda o "inferno" que viveu no acidente de comboio em Espanha e diz que é um "milagre estar vivo"
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Português recorda o "inferno" que viveu no acidente de comboio em Espanha e diz que é um "milagre estar vivo"

Santiago Salvador é um dos dois portugueses que esteve envolvido no acidente ferroviário em Córdova. "Só parti a perna, a tíbia e o períneo", relata.
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"Comecei a voar pela carruagem e parecia que estava num carrossel". É desta forma que Santiago Salvador descreve o momento em que ocorreu o acidente que envolveu dois comboios de alta velocidade em Adamuz (Córdova), Espanha, que fez 41 mortos e dezenas de feridos. Relata o "inferno" que viveu na noite de domingo e diz que é "um milagre estar vivo".

Estava acompanhado pela namorada quando o comboio em que seguia, em direção a Huelva, embateu noutro. "Neste momento estou bem, estou vivo, contente por estar bem, com muita força. Foi um acidente muito trágico, parecia o inferno. Havia pessoas muito feridas, graves. A minha ferida foi ligeira, só parti a perna, a tíbia e o períneo", conta Santiago Salvador num vídeo publicado nas redes sociais.

"Por sorte, estou vivo outra vez. A minha namorada também está bem. Foi uma força divina, um milagre estar vivo. Foi um momento em que vi muita morte, muitos mortos", relata.

No testemunho que deu através de um vídeo publicado no Instagram, Santiago Salvador, com ferimentos no rosto e na cabeça, agradece a "todas as pessoas" que estão ao seu lado e realça que "há que viver a vida, porque a vida é curta".

"Não se chateiem por parvoíces, valorizem mais o amor entre vocês, porque a vida... um dia estás aqui e outro dia estás no céu. (...) Não foi a minha vez de ir para o céu", diz.

Santiago Salvador é um dos dois portugueses que estiveram envolvidos no acidente e que, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, estão bem.

Subiu esta terça-feira (20 de janeiro) para 41 o número de mortos do acidente ferroviário, após as autoridades terem encontrado um cadáver entre os escombros de uma das composições.

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Além das vítimas mortais, há a registar 39 feridos que continuam hospitalizados, 13 dos quais, um deles menor de idade, na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).

O acidente aconteceu no domingo, pelas 19h45 (18h45 em Lisboa), em Adamuzm, na província de Córdova, e envolveu dois comboios de alta velocidade, um da empresa privada Iryo (que tinha saído de Málaga e tinha como destino Madrid), e outro da empresa pública Renfe (que seguia em sentido contrário, de Madrid para Huelva.

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Os três últimos vagões do comboio Iryo descarrilaram e invadiram outra via onde circulava o comboio da Renfe, num local conhecido como o apeadeiro de Adamuz, onde existe uma subestação de manutenção da linha e um ponto de mudança de agulhas. Os dois primeiros vagões do comboio da Renfe foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.

O Governo espanhol decretou três dias de luto nacional, a contar a partir desta terça-feira.

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