Investigadores encontram junta dos carris partida no local do acidente ferroviário em Espanha. Dois portugueses estavam nos comboios
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Investigadores encontram junta dos carris partida no local do acidente ferroviário em Espanha. Dois portugueses estavam nos comboios

Técnicos encontraram junta defeituosa que criava uma folga entre as secções do carril, que aumentava à medida que os comboios passavam. Entre os portugueses envolvidos no acidente, uma mulher está bem e não são ainda conhecidos detalhes sobre o segundo envolvido.
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Os investigadores que tentam apurar as circunstâncias do descarrilamento do comboio de alta velocidade em Ademuz (Córdoba), no sul de Espanha, que provocou a morte a pelo menos 39 pessoas, encontraram esta segunda-feira, 19 de janeiro, uma junta dos carris partida, de acordo com fonte das investigações citada pela agência Reuters.

Os técnicos presentes no local do acidente, ao analisarem os carris, identificaram um desgaste na junção entre as seções, conhecida como tala de junção, o que, segundo a mesma fonte, indica que esta falha já existia há algum tempo.

Foi descoberta que a referida junta criava uma folga entre as secções do carril, que aumentava à medida que os comboios passavam na linha.

A mesma fonte, que a Reuters diz que não quis ser identificada, revelou ainda que os técnicos acreditam que essa junta defeituosa será fundamental para identificar a causa exata do acidente.

A Comissão Espanhola de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), que está a investigar o acidente, já foi confrontada com este novo dado, mas até ao momento ainda não fez qualquer comentário, assim como a operadora ferroviária espanhola, Adif, e o Ministério dos Transportes espanhol.

Álvaro Fernandez Heredia, presidente da Renfe, a empresa do segundo comboio que descarrilou, disse entretanto à rádio espanhola Cadena Ser que ainda é cedo para falar sobre as causas do desastre. Contudo, não escondeu que o acidente ocorreu em "condições estranhas", acrescentando que "o erro humano está praticamente descartado".

Além dos 39 mortos, há 73 pessoas internadas em unidades hospitalares, das quais 24 encontram-se em estado grave.

O Governo espanhol já decretou três dias de luto nacional (de terça a quinta-feira).

Um comboio da companhia Iryo, que tinha partido de Málaga às 18h40 de domingo com destino a Puerta de Atocha com 317 pessoas a bordo, descarrilou os seus três últimos vagões às 19h39 locais, mais uma hora do que em Lisboa, e invadiu a via contígua, pela qual circulava, nesse mesmo momento, outro comboio da Renfe com destino a Huelva, que também descarrilou.

Os vagões do Iryo colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe, que foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.

Dois cidadãos portugueses no local do acidente

Entretanto, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à agência Lusa que pelo menos dois cidadãos portugueses estavam no acidente que ferroviário, explicando que se tratam de uma mulher que "já se encontra bem e em casa", sendo que o outro caso "foi sinalizado pelas autoridades espanholas", mas até ao momento não se sabem detalhes relativamente ao estado de saúde.

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Sobe para 39 o número de mortos em acidente ferroviário em Espanha. Governo sem conhecimento de vítimas portuguesas
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