Sobe para 39 o número de mortos em acidente ferroviário em Espanha. Governo sem conhecimento de vítimas portuguesas
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Sobe para 39 o número de mortos em acidente ferroviário em Espanha. Governo sem conhecimento de vítimas portuguesas

O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse que até esta segunda-feira de manhã não havia indicação de vítimas portuguesas, adiantando que o Governo continua a acompanhar a situação. A última inspeção ao comboio descarrilado foi realizada na quinta-feira.
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Um total de 39 pessoas morreram no acidente ferroviário de Ademuz (Córdova), no sul de Espanha, no domingo, 18 de janeiro, segundo fontes da investigação consultadas pela agência EFE. O Governo português não tem informação de vítimas portuguesas.

Um total de 73 pessoas continuam internadas, 24 das quais em estado grave, e entre estas quatro menores.

O protocolo nacional de atuação em eventos com múltiplas vítimas está a ser aplicado no Instituto de Medicina Legal de Córdova.

A este protocolo vão juntar-se especialistas do Serviço de Criminalística da Guarda Civil, encarregados de identificar as vítimas mortais do acidente, tanto por impressões digitais como por ADN, avançou a agência de notícias espanhola.

Um comboio da companhia Iryo, que tinha partido de Málaga às 18:40 de domingo com destino a Puerta de Atocha com 317 pessoas a bordo, descarrilou os seus três últimos vagões às 19:39 locais, mais uma hora do que em Lisboa, e invadiu a via contígua, pela qual circulava, nesse mesmo momento, outro comboio da Renfe com destino a Huelva, que também descarrilou.

Os vagões do Iryo colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe, que foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.

O Governo de Espanha começou por confirmar a existência de, pelo menos, 21 mortos e 30 feridos graves no acidente ferroviário de domingo à noite no município de Adamuz, Córdova, na região da Andaluzia, no sul do país, mas admitiu que o número de vítimas mortais pode ser maior.

Mais tarde, o presidente da Junta da Andaluzia, Juanma Moreno, anunciou que um total de 75 pessoas tinham sido hospitalizadas, 15 das quais em estado grave.

Numa conferência ao início da madrugada desta segunda-feira, o ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, disse não ter uma explicação para o acidente, que envolveu dois comboios de alta velocidade, e que será necessário esperar pelo resultado de uma investigação, a cargo de uma comissão especializada e competente para estes casos.

Óscar Puente qualificou o acidente, "numa reta", como "tremendamente estranho", revelando que a via foi totalmente renovada recentemente, em trabalhos que terminaram em maio passado, e que também o comboio que descarrilou inicialmente era "praticamente novo" e tem cerca de quatro anos.

Governo português sem conhecimento de vítimas portuguesas até ao momento

O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou, entretanto, que até ao momento não há conhecimento de vítimas portuguesas a registar no acidente ferroviário no domingo em Córdova, Espanha, que causou pelo menos 39 mortos.

Fonte do gabinete de Paulo Rangel disse, pelas 08:15, que até hoje de manhã não havia indicação de vítimas portuguesas, adiantando que o Governo continua a acompanhar a situação.

Numa nota divulgada no domingo à noite na rede social Facebook, o Ministério dos Negócios Estrangeiros escreveu que o "Governo português lamenta profundamente o grave acidente ocorrido em Córdoba, que causou várias vítimas mortais e feridos”.

Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, expressou no domingo pesar ao monarca espanhol, Felipe VI, pelas vítimas do acidente ferroviário.

Última inspeção ao comboio foi na quinta-feira

A companhia ferroviária Iryo anunciou na manhã desta segunda-feira que o comboio de alta velocidade que descarrilou tinha sido submetido à inspeção na quinta-feira.

O comboio, fabricado em 2022 e "cuja última inspeção foi realizada a 15 de janeiro", partiu "com 289 passageiros, quatro tripulantes e um maquinista a bordo. Às 19:45 (18:45 em Lisboa), por razões ainda desconhecidas, desviou para a linha adjacente", afirmou a operadora num comunicado de imprensa enviado à agência de notícias francesa AFP.

Os sindicatos CCOO [Confederação Sindical de Comissões Operárias) e UGT exigiram esta segunda-feira, em comunicados separados, uma investigação minuciosa às causas do acidente ferroviário.

Na nota, o sindicato CCOO exige "total transparência e rigor" na investigação das causas do acidente "para determinar as responsabilidades correspondentes".

O primeiro-ministro Espanhol, Pedro Sánchez, está na manhã desta segunda a caminho do local do acidente, de acordo com o seu gabinete.

Sobe para 39 o número de mortos em acidente ferroviário em Espanha. Governo sem conhecimento de vítimas portuguesas
Dois comboios de alta velocidade descarrilam em Córdoba. Há pelo menos 21 mortos e dezenas de feridos
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