O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Marcin Bosacki, afirmou esta segunda-feira, 11 de maio, que as autoridades polacas estão “a esclarecer a questão e a aguardar conversas sérias com os nossos parceiros americanos sobre como Zbigniew Ziobro foi parar aos Estados Unidos”, acrescentando que “há pouco tempo, o embaixador americano garantiu-nos que não tinham qualquer intenção de o receber no seu território”.As declarações de Bosacki surgem depois do ex-ministro da Justiça polaco Zbigniew Ziobro - procurado por Varsóvia por 26 acusações criminais - ter revelado que se encontra nos EUA, após deixar a Hungria, onde lhe tinha sido concedido asilo político pelo governo de Viktor Orbán.Ziobro, do partido Lei e Justiça (que esteve no poder na Polónia até 2023), é suspeito de liderar um grupo criminoso e de abuso da sua posição através do uso indevido de um fundo de apoio a vítimas de crime, acusações que nega.“Estou nos Estados Unidos, cheguei ontem”, disse o ex-ministro numa entrevista dada no domingo ao canal conservador Republika TV, que anunciou que Ziobro passará a ser o seu “comentador político” sediado nos EUA. Uma fuga que coincidiu com a tomada de posse do novo primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, que já havia dito que iria revogar o seu estatuto de asilo e extraditar o ex-ministro para a Polónia.Nesta entrevista, o antigo titular da pasta da Justiça referiu ainda que os EUA são “um país extremamente complexo e belo, a democracia mais forte do mundo” e “um aliado da Polónia, o garante da segurança da Polónia”. O passaporte polaco de Ziobro foi revogado no ano passado, no âmbito da investigação da justiça polaca, mas, devido ao seu estatuto de asilo na Hungria, recebeu um passaporte internacional de refugiado. Documento que, no entanto, exigiria um visto para entrar nos EUA, o que levanta dúvidas sobre se a Republika TV, com ligações aos republicanos, pode ter pedido um visto para o ex-ministro.Também o Ministério Público polaco disse estar a investigar as circunstâncias da viagem de Ziobro aos EUA para determinar se alguém o ajudou a “fugir e a esquivar-se à responsabilidade criminal, obstruindo assim a investigação” que pende sobre ele..“Ato hostil” da Hungria enfurece a Polónia