A procuradora-geral do EUA, Pam Bondi, durante a sua audição na Câmara dos Representantes na quarta-feira, 11 de fevereiro.
A procuradora-geral do EUA, Pam Bondi, durante a sua audição na Câmara dos Representantes na quarta-feira, 11 de fevereiro. EPA / WILL OLIVER

Pam Bondi criticada após dizer que todos os ficheiros Epstein já foram publicados

“Parem de proteger os predadores. Ocultem apenas os nomes das sobreviventes”, disse o democrata Ro Khanna. Já o republicano Thomas Massie classificou a Casa Branca como a "administração Epstein".
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Democratas e republicanos criticaram a mais recente ação do Departamento de Justiça norte-americano, que garantiu este fim de semana ter já divulgado todos os ficheiros exigidos pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, afirmando que os documentos já publicitados são insuficientes. 

"Em conformidade com os requisitos da Lei, e conforme descrito em várias submissões do Departamento aos tribunais do Distrito Sul de Nova Iorque responsáveis pelos processos de Epstein e Maxwell e ordens relacionadas, o Departamento divulgou todos os 'registos, documentos, comunicações e materiais de investigação na posse do Departamento' que 'se relacionam' com qualquer uma das nove categorias diferentes", refere uma missiva enviada ao Congresso pelo Departamento de Justiça e assinada pela procuradora-geral Pam Bondi e o seu adjunto, Todd Blanche, que acrescentava ainda que não foi retido qualquer registo "com base em embaraço, dano à reputação ou sensibilidade política". 

A missiva - enviada ao presidente do Comité Judiciário do Senado, Chuck Grassley, e ao membro sénior democrata, Dick Durbin, e ao líder do Comité Judiciário da Câmara, Jim Jordan, e ao membro sénior democrata, Jamie Raskin – continha ainda uma  lista de "pessoas politicamente expostas" e que constam dos milhões de ficheiros Epstein, embora o Departamento de Justiça não tenha especificado o contexto em que aparecem nos arquivos ou o grau de ligação (ou se existe alguma) ao criminoso sexual. É apenas dito que os nomes aparecem numa "ampla variedade de contextos", incluindo pessoas que tiveram "extenso contacto direto por e-mail com Epstein ou Maxwell" e outras apenas mencionadas em documentos ou artigos noticiosos contidos nos arquivos.

Na lista estão nomes com reconhecidas ligações a Jeffrey Epstein, como o presidente Donald Trump, o seu ex-conselheiro Steve Bannon, o antigo presidente Bill Clinton, o ex-príncipe André ou os milionários Les Wexner e Bill Gates. Mas também nomes de figuras já mortas como Elvis Presley, Janis Joplin, Michael Jackson ou a princesa Diana.  

Para o congressista republicano Thomas Massie, apesar do Departamento de Justiça ter dito que “concluiu a produção destes documentos”, existem ficheiros que devem ainda ser divulgados, sublinhando que estão a “invocar o privilégio do processo deliberativo para não divulgar alguns dos documentos”.

“O problema é que o projeto de lei que Ro Khanna e eu redigimos exige a divulgação de memorandos, notas e e-mails internos sobre as decisões de processar ou não, investigar ou não”, notou Massie em entrevista à ABC no domingo à noite, referindo-se à Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, que elaborou com o congressista democrata Ro Khanna e que foi aprovada num esforço bipartidário. 

O republicano comentou ainda a audição de quarta-feira de Pam Bondi na Câmara dos Representantes, durante a qual os dois foram protagonistas de acesas trocas de palavras sobre os ficheiros Epstein, dizendo que a procuradora-geral não forneceu quaisquer respostas ao que lhe foi perguntado. “Não acho que a Pam Bondi confie em si própria”, disse Massie na ABC. “Ela não teve confiança suficiente para fazer mais nada além de dizer palavrões durante uma audiência. Por isso, não, não confio nela.”

E não esqueceu o papel do presidente dos Estados Unidos em todo este caso. "Donald Trump disse-nos que, mesmo tendo jantado com estas pessoas em Nova Iorque e West Palm Beach, seria transparente. Mas não é. Ele ainda está ligado à turma do Epstein. Esta é a administração Epstein”.

Ro Khanna, por seu turno, acusou o Departamento de Justiça de “confundir propositadamente quem era o predador e quem era mencionado nos e-mails”. “É absurdo incluir Janis Joplin, que morreu quando Epstein tinha 17 anos, na mesma lista que Larry Nassar, que foi preso por abuso sexual de centenas de jovens mulheres e pornografia infantil, sem esclarecer como qualquer um deles foi mencionado nos arquivos”, prosseguiu o democrata no X. “Divulguem os ficheiros completos. Parem de proteger os predadores. Ocultem apenas os nomes das sobreviventes”.

Numa outra publicação, Khanna garantiu que ele e Massie “estão a fazer campanha pela responsabilização da classe de Epstein e da administração Epstein”, sugerindo que “comecem por Lutnick!”, referindo ao secretário do Comércio da atual Casa Branca. 

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