A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi. EPA/AARON SCHWARTZ / POOL

Pam Bondi chama Epstein de “monstro” e enfrenta democratas em depoimento marcado por confrontos no Congresso

Procuradora-geral dos EUA defende atuação do Departamento de Justiça na divulgação dos ficheiros e é alvo de críticas de congressistas democratas e republicanos.
Publicado a
Atualizado a

A Administração Trump continua encostada à parede no Caso Epstein. Na tarde da última quarta-feira, 11 de fevereiro, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, classificou Jeffrey Epstein como um “monstro” e atacou congressistas democratas durante um depoimento marcado por confrontos verbais realizado na Câmara dos Representantes.

Bondi prestou declarações perante a Comissão de Justiça da Câmara, numa audição de cerca de quatro horas, centrada na atuação do Departamento de Justiça na divulgação dos ficheiros ligados ao caso Epstein. Em vários momentos, a sessão resultou em gritos e trocas de acusações, o que levou inclsive à saída de um deputado após um confronto mais ríspido.

Trump e a procuradora-geral Pam Bondi.
Trump e a procuradora-geral Pam Bondi.EPA / WILL OLIVER / POOL

Na sua declaração inicial, a aliada de Trump dirigiu-se às vítimas de Epstein presentes na sala, classificando o ex-banqueiro como um “monstro” e dizendo "lamentar o abuso que sofreram”. As declarações ocorreram no mesmo dia no qual documentos divulgados constaram informações de que, em 2006, Trump declarou conhecimento dos crimes de Epstein.

A procuradora-geral defendeu ainda o processo de divulgação dos documentos, garantindo que o departamento tem procurado proteger as vítimas dentro dos prazos legais impostos.

Críticas de Democratas - e não só

Apesar das declarações de Bondi, vários congressistas acusaram o Departamento de Justiça de falhas graves no tratamento dos ficheiros. A deputada democrata Pramila Jayapal apontou problemas na ocultação de dados sensíveis, afirmando que, em alguns casos, foram divulgadas imagens de nudez de vítimas cujas identidades tinham sido protegidas “durante décadas”.

Durante a audição, Jayapal pediu às vítimas presentes na sala que se levantassem caso não tivessem conseguido reunir-se com responsáveis do Departamento de Justiça, levando todas a fazê-lo. A congressista instou então Pam Bondi a pedir desculpa pela forma como o processo foi conduzido.

A procuradora-geral reagiu classificando a intervenção como “teatro” e afirmando: “Não vou descer ao nível desta mulher”. Bondi acrescentou que quaisquer nomes divulgados “inadvertidamente” foram “imediatamente ocultados” assim que identificados, garantindo que os funcionários estão a cumprir a lei dentro dos prazos legais.

De acordo com a BBC, uma das vítimas presentes, Marina Lacerda, afrimou que Bondi “não atendeu nenhuma chamada nem respondeu a emails” e acusou o Departamento de Justiça de tentar “intimidar” as vítimas e remetê-las ao silêncio.

As críticas à procuradora-geral não partiram apenas dos democratas. O deputado republicano Thomas Massie questionou Bondi sobre quem autorizou a ocultação de nomes nos ficheiros e se alguém seria responsabilizado. “Isto é maior do que o Watergate”, afirmou. Bondi respondeu classificando a situação como “uma piada política”.

Ainda durante a longa audição, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou não existir “qualquer prova” de que Epstein tenha traficado mulheres para o multi-milionário empresário Les Wexner, cujo nome chegou a surgir ocultado em documentos.

A sessão terminou com novos confrontos noutras frentes, incluindo críticas democratas à atuação federal do ICE em Minneapolis - que neste ano já levou a duas vítimas fatais na capital do Minnesota. A intervenção da polícia de imigração incentivada por Donald Trump foi defendida por Bondi com o apoio de republicanos, entre eles o próprio presidente da comissão.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi.
Documento do FBI refere que Trump terá dito que “todos sabiam” dos crimes de Epstein
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi.
Citado em documento, antigo futebolista Franck Ribéry nega envolvimento em Caso Epstein: 'Fake news'

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt