A Administração Trump continua encostada à parede no Caso Epstein. Na tarde da última quarta-feira, 11 de fevereiro, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, classificou Jeffrey Epstein como um “monstro” e atacou congressistas democratas durante um depoimento marcado por confrontos verbais realizado na Câmara dos Representantes.Bondi prestou declarações perante a Comissão de Justiça da Câmara, numa audição de cerca de quatro horas, centrada na atuação do Departamento de Justiça na divulgação dos ficheiros ligados ao caso Epstein. Em vários momentos, a sessão resultou em gritos e trocas de acusações, o que levou inclsive à saída de um deputado após um confronto mais ríspido..Na sua declaração inicial, a aliada de Trump dirigiu-se às vítimas de Epstein presentes na sala, classificando o ex-banqueiro como um “monstro” e dizendo "lamentar o abuso que sofreram”. As declarações ocorreram no mesmo dia no qual documentos divulgados constaram informações de que, em 2006, Trump declarou conhecimento dos crimes de Epstein. A procuradora-geral defendeu ainda o processo de divulgação dos documentos, garantindo que o departamento tem procurado proteger as vítimas dentro dos prazos legais impostos.Críticas de Democratas - e não sóApesar das declarações de Bondi, vários congressistas acusaram o Departamento de Justiça de falhas graves no tratamento dos ficheiros. A deputada democrata Pramila Jayapal apontou problemas na ocultação de dados sensíveis, afirmando que, em alguns casos, foram divulgadas imagens de nudez de vítimas cujas identidades tinham sido protegidas “durante décadas”.Durante a audição, Jayapal pediu às vítimas presentes na sala que se levantassem caso não tivessem conseguido reunir-se com responsáveis do Departamento de Justiça, levando todas a fazê-lo. A congressista instou então Pam Bondi a pedir desculpa pela forma como o processo foi conduzido.A procuradora-geral reagiu classificando a intervenção como “teatro” e afirmando: “Não vou descer ao nível desta mulher”. Bondi acrescentou que quaisquer nomes divulgados “inadvertidamente” foram “imediatamente ocultados” assim que identificados, garantindo que os funcionários estão a cumprir a lei dentro dos prazos legais.De acordo com a BBC, uma das vítimas presentes, Marina Lacerda, afrimou que Bondi “não atendeu nenhuma chamada nem respondeu a emails” e acusou o Departamento de Justiça de tentar “intimidar” as vítimas e remetê-las ao silêncio.As críticas à procuradora-geral não partiram apenas dos democratas. O deputado republicano Thomas Massie questionou Bondi sobre quem autorizou a ocultação de nomes nos ficheiros e se alguém seria responsabilizado. “Isto é maior do que o Watergate”, afirmou. Bondi respondeu classificando a situação como “uma piada política”.Ainda durante a longa audição, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou não existir “qualquer prova” de que Epstein tenha traficado mulheres para o multi-milionário empresário Les Wexner, cujo nome chegou a surgir ocultado em documentos. A sessão terminou com novos confrontos noutras frentes, incluindo críticas democratas à atuação federal do ICE em Minneapolis - que neste ano já levou a duas vítimas fatais na capital do Minnesota. A intervenção da polícia de imigração incentivada por Donald Trump foi defendida por Bondi com o apoio de republicanos, entre eles o próprio presidente da comissão. .Documento do FBI refere que Trump terá dito que “todos sabiam” dos crimes de Epstein.Citado em documento, antigo futebolista Franck Ribéry nega envolvimento em Caso Epstein: 'Fake news'