Manifestante com um cartaz, diante do Capitólio, a pedir a divulgação de todos os ficheiros sobre Epstein.
Manifestante com um cartaz, diante do Capitólio, a pedir a divulgação de todos os ficheiros sobre Epstein.EPA/WILL OLIVER

Três milhões de páginas, 180 mil fotos e 2000 vídeos: EUA revelam o resto do ficheiro Epstein

Procurador-geral adjunto avisa que documentos têm muita censura, ao abrigo do que está previsto na lei, e que a sede de informação por dados sobre Trump não deverá ser saciada.
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O Departamento de Justiça dos EUA anunciou esta sexta-feira (30 de janeiro) a divulgação de mais três milhões de páginas de documentos, 180 mil imagens e 2000 vídeos referentes ao chamado "ficheiro Epstein".

O pedófilo Jeffrey Epstein, amigo de várias pessoas influentes e famosas, morreu na prisão em 2019, quando aguardava o julgamento das acusações de abuso sexual de raparigas menores.

O próprio presidente dos EUA, Donald Trump, foi amigo de Epstein na década de 1990, tendo a relação entre ambos sido cortada meses antes de o milionário ser condenado em 2008, na Florida (tendo recebido um acordo da justiça considerado demasiado brando).

Os documentos foram divulgados ao abrigo da Lei de Transparência dos Ficheiros Epstein, uma lei promulgada após meses de pressão pública e política, que exige que o governo abra os seus arquivos sobre as investigações ao milionário e à sua ex-namorada Ghislaine Maxwell (que foi condenada como cúmplice dos seus abusos sexuais).

“A divulgação de hoje marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir a transparência ao povo americano e a conformidade com a lei”, disse o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, numa conferência de imprensa.

A lei previa que todos os documentos tivessem sido divulgados até 19 de dezembro, mas as autoridades alegaram que era impossível devido ao volume dos documentos - mesmo com as centenas de advogados que trabalharam nesse processo.

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Os ficheiros agora divulgados incluem extensas partes censuradas, disse Blanche, devido às exceções da lei que permitem que certos documentos sejam ocultados, incluindo informações de identificação das vítimas ou materiais relacionados com investigações em curso. As divulgações anteriores já tinham sido bastante censuradas, o que gerou críticas por parte de alguns legisladores.

Blanche alegou que o Departamento de Justiça "não protegeu" Trump na sua análise dos ficheiros de Epstein, avisando que existe uma fome e uma sede de informação sobre o presidente que, na sua opinião, não será saciada com estes documentos.

A orientação de Trump ao Departamento de Justiça foi para que fossem "transparentes", referiu.

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