Os "baratas" voltam às ruas na Índia em protestos contra Comissão Eleitoral. Veja as imagens
Os "baratas" estão de volta às ruas da Índia. O movimento liderado sobretudo por jovens, que nasceu como sátira nas redes sociais e se transformou num grupo de pressão política, intensifica esta sexta-feira, 2 de outubro, a contestação à Comissão Eleitoral do país.
Conhecido oficialmente como Cockroach Janta Party (CJP), o grupo convocou uma manifestação em Mumbai para exigir a demissão do chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, no meio da polémica em torno da revisão dos cadernos eleitorais.
O CJP começou como um movimento satírico online, mas rapidamente ganhou dimensão política, sobretudo entre os jovens. Em julho, alcançou a primeira grande vitória depois de semanas de protestos por reformas na educação que culminaram na demissão do então ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.
Agora, os "baratas" voltaram-se para o sistema eleitoral. A contestação tem como pano de fundo uma revisão dos cadernos eleitorais que a Comissão Eleitoral diz servir para retirar registos duplicados e eleitores inelegíveis.
Partidos da oposição e ativistas alegam, porém, que eleitores legítimos estão a ser excluídos e que o processo favorece o Bharatiya Janata Party (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi. Tanto o partido como a Comissão Eleitoral rejeitam as acusações.
A pressão sobre Gyanesh Kumar aumentou depois de o Indian Express noticiar que dois dos três membros da Comissão Eleitoral levantaram objeções pelo menos 14 vezes nos últimos dez meses a decisões relacionadas com a revisão dos cadernos eleitorais, incluindo registos, exclusões e segurança das listas.
A Comissão Eleitoral sustenta que as divergências fazem parte do processo normal de decisão e que as medidas adotadas são legais. Paralelamente, em Nova Deli, centenas de manifestantes concentraram-se esta sexta-feira (2) em Jantar Mantar para exigir a saída de Kumar.
Houve detenções e confrontos quando as autoridades tentaram impedir o acesso ao local, enquanto foram mobilizados canhões de água e equipamentos para lançamento de gás lacrimogéneo. O protesto na capital não foi organizado pelo CJP, mas contou com grupos estudantis, ativistas e membros da oposição.
O CJP pretende levar a mobilização a várias cidades indianas ao longo de outubro, numa série de manifestações que deverá culminar em Nova Deli. Partidos da oposição também anunciaram novos protestos contra Kumar nos próximos dias.

