No início de março, Kristi Noem era substituída por Markwayne Mullin à frente do Departamento de Segurança Interna. Um mês depois o presidente Donald Trump afastava a procuradora-geral Pam Bondi, ficando interinamente no cargo Todd Blanche. Agora foi a vez de Lori Chavez-DeRemer deixar a Administração americana. A secretária do Trabalho sai envolta em polémica, com vários media americanos a noticiarem que estaria a ser investigada pelo órgão de fiscalização interna do Departamento do Trabalho por abuso de poder. O seu vice, Keith Sonderling, fica interinamente à frente do Departamento.Chavez-DeRemer foi assim a terceira mulher a sair da Administração Trump em dois meses, depois de terem perdido o apoio do presidente. Dos 21 lugares no gabinete de Trump (sem contar o presidente e o vice), só quatro são atualmente ocupados por mulheres. Ao contrário do que aconteceu com Noem e Bondi, a partida da secretária do Trabalho não foi anunciada pelo próprio Trump. “A secretária do Trabalho, Lori Chavez-DeRemer, vai deixar a Administração para assumir um cargo no setor privado”, escreveu o diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, no X, sublinhando que “fez um trabalho fenomenal no seu cargo, protegendo os trabalhadores americanos, implementando práticas laborais justas e ajudando os americanos a adquirir competências adicionais para melhorar as suas vidas.”Na semana passada o The New York Times noticiava que o inspetor-geral do Departamento do Trabalho estava a analisar mensagens de texto enviadas por Chavez-DeRemer, pelos seus assessores e por familiares a jovens funcionários. O marido de Chavez-DeRemer foi proibido de entrar na sede do Departamento em Washington, depois de duas mulheres que ali trabalham terem relatado que as tinha tocado de forma inadequada, revelaram fontes familiarizadas com a situação à CBS News. Antiga congressista do Oregon, Chavez-DeRemer defendera no Congresso posições que pareciam contraditórias com as da Administração Trump. Foi, por exemplo, um dos poucos republicanos a co-patrocinar a Lei de Proteção do Direito à Organização, um conjunto de alterações às proteções sindicais federais apoiadas pelos democratas e pelos principais grupos sindicais. Quem se segue?Depois de alguma estabilidade no primeiro ano desta sua segunda presidência, Trump parece agora, segundo o Politico, “pronto para abanar as coisas”. Com eleições intercalares em novembro - nas quais os democratas procuram recuperar o controlo de pelo menos uma das câmaras do Congresso - Trump tem visto a sua popularidade cair para os níveis mais baixos desde o seu regresso ao poder (36%, segundo uma sondagem Reuters/Ispos divulgada ontem). Pressionado pelo tempo e pelo descontentamento, inclusive em parte do seu campo, o presidente não deverá ficar por aqui na remodelação da Administração. Um forte candidato a ser o senhor que se segue é Kash Patel. O diretor do FBI é mal visto pela base de apoio de Trump devido à sua gestão inicial do caso Epstein e apresentou agora um processo contra a revista The Atlantic por difamação, depois de esta ter afirmado que pode ser o próximo a cair devido aos seus “episódios de consumo excessivo de álcool” e “ausências inexplicáveis”.Outro nome a seguir é o de Howard Lutnik. Apesar de ser amigo de Trump, o secretário do Comércio é suspeito de lucrar com os reembolsos de direitos aduaneiros no valor de milhares de milhões de dólares que estão agora a ser distribuídos pela administração e vai ser ouvido no Senado hoje. Já Tulsi Gabbard, a secretária da Segurança Nacional, colocou-se ainda mais na mira ao criticar a intervenção militar dos EUA no Irão e surge em todas as listas de possíveis saídas..Vasco Rato: "Neste segundo mandato Trump está verdadeiramente a ser Trump"