O antigo presidente dos Estados Unidos está esta sexta-feira, 27 de fevereiro, a dar o seu depoimento perante os membros da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre Jeffrey Epstein. Tal como a sua mulher, Hillary, no dia anterior, Bill Clinton está a ser ouvido não no Capitólio, em Washington, mas sim no Centro de Artes de Chappaqua, a cidade no Estado de Nova Iorque onde o casal mora. Ao contrário do pretendido pelos Clinton as audições estão a ser realizadas à porta fechada, mas o vídeo e as transcrições das mesmas serão tornados públicos em breve.“Primeiro, não fazia ideia dos crimes que Epstein estava a cometer. Por mais fotos que me mostrem, há duas coisas que, no final de contas, importam mais do que a vossa interpretação dessas fotos de há 20 anos. Sei o que vi e, mais importante, o que não vi. Sei o que fiz e, mais importante, o que não fiz. Não vi nada e não fiz nada de mal”, afirmou Bill Clinton na sua declaração inicial perante a comissão e, que tal como Hillary havia feito no dia anterior, publicou nas redes sociais.Clinton afirmou ainda que “como alguém que cresceu num lar com violência doméstica, não só não teria viajado no seu avião se tivesse a mínima ideia do que ele estava a fazer – eu próprio o teria denunciado e liderado o clamor por justiça pelos seus crimes, e não por acordos convenientes”. “Mas mesmo com a visão retrospetiva perfeita, não vi nada que me fizesse questionar. Só estamos nesta situação porque ele escondeu tudo de toda a gente tão bem durante tanto tempo. E quando tudo veio ao de cima com a sua confissão de culpa em 2008, eu já tinha deixado de me associar a ele há muito tempo”, garantiu.“Isto pode ser insatisfatório”, declarou o antigo presidente sobre os seus planos de responder a algumas perguntas dizendo que não se lembra. “Mas não vou dizer algo de que não tenha a certeza. Tudo isto aconteceu há muito tempo.” E acrescentou que está “vinculado pelo meu juramento de não especular nem fazer suposições”, algo que “não é apenas para meu próprio benefício, mas porque não me serve de nada fazer de detetive 24 anos depois”.O democrata fez ainda referência ao depoimento da mulher no dia anterior, que durou mais de seis horas, dizendo que “antes de começarmos, preciso de falar sobre algo pessoal. Vocês convocaram a Hillary. Ela não tinha nada a ver com Jeffrey Epstein. Nada. Ela não se lembra sequer de o ter conhecido. Ela não viajou com ele nem visitou nenhuma das suas propriedades. Intimar 10 ou 10.000 pessoas, incluindo ela, foi simplesmente errado”.Clinton afirmou ainda aos congressistas que está a testemunhar "para oferecer o pouco que sei, para que isso possa impedir que algo assim volte a acontecer” e porque “as raparigas e mulheres cujas vidas Jeffrey Epstein destruiu merecem não só justiça, mas também cura”. “Esperaram demasiado tempo por ambas. Embora o meu breve contacto com Epstein tenha terminado anos antes de os seus crimes virem a público, e embora nunca tenha testemunhado, durante as nossas limitadas interações, qualquer indício do que realmente estava a acontecer, estou aqui para oferecer o pouco que sei para que isso possa impedir que algo assim volte a acontecer.”Bill Clinton referiu ainda uma outra razão para estar a testemunhar perante os congressistas. “Eu amo o meu país. E a América foi construída sobre a ideia que ninguém está acima da lei, incluindo presidentes – especialmente, presidentes”.“A democracia exige que cada pessoa faça a sua parte, e espero que, estando aqui hoje, nos possamos afastar um pouco mais do abismo e voltar a ser um país onde podemos discordar uns dos outros de forma civilizada”, prosseguiu, acrescentando: “Farei a minha parte e espero que vocês façam a vossa”..“Quero que a verdade venha à tona”. Hillary Clinton foi ouvida mais de seis horas sobre Jeffrey Epstein.Hillary Clinton diz não conhecer Epstein e acusa republicanos de tentarem desviar as atenções de Trump