Depois de meses de um braço de ferro entre os Clinton e a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, que incluiu a ameaça de que o casal de democratas iria ser considerado em desacato com o Congresso se continuasse a faltar às audiências, Hillary testemunhou esta quinta-feira, 26 de fevereiro, sobre Jeffrey Epstein. Esta sexta-feira, 27, será a vez de Bill Clinton. Não no Capitólio, em Washington, mas sim em Chappaqua, a cidade no Estado de Nova Iorque onde vivem, e não numa audiência pública, como pretendiam, mas à porta fechada, embora o republicano James Comer, que preside à comissão, tenha dito que as transcrições dos depoimentos serão tornadas públicas.“A Comissão justificou a intimação que me enviou partindo do pressuposto de que possuo informações sobre as investigações das atividades criminosas de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Deixem-me ser o mais clara possível. Não as possuo”, afirmou Hillary Clinton nas suas declarações iniciais perante os congressistas e que partilhou nas redes sociais. “Não me lembro de ter encontrado o sr. Epstein. Nunca voei no seu avião, nem visitei a sua ilha, as suas casas ou os seus escritórios. Não tenho nada a acrescentar a isso.” A democrata já havia dito anteriormente que não conhecia Epstein, e que se encontrou com Ghislaine Maxwell, que está a cumprir uma pena de 20 anos por conspiração para abuso de menores e tráfico sexual de adolescentes, “em algumas ocasiões”. Bill Clinton que, por seu turno, surge várias vezes nos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça, confirmou que conhecia Epstein, mas garantiu ter cortado o contacto com ele há duas décadas. A antiga secretária de Estado prosseguiu dizendo que, “como qualquer pessoa decente”, ficou horrorizada ao saber dos crimes cometidos, sublinhando que esta comissão deveria avaliar a atuação do governo nas investigações, mas salientou que oito agentes da autoridade foram intimados e a maioria teve permissão para apresentar declarações nas quais não tinham informações a fornecer, reforçando que este processo carece de transparência e é tendencioso.“Esta falha institucional visa proteger um partido político e um funcionário público, em vez de procurar a verdade e a justiça para as vítimas e sobreviventes, bem como para o público que também quer chegar ao fundo desta questão. O meu coração parte-se pelas sobreviventes. E estou furiosa em nome delas”, declarou Hillary Clinton. E para que não restassem dúvidas de quem a antiga candidata presidencial estava a falar, ela foi mais clara. “Obrigaram-me a testemunhar, plenamente consciente de que não possuo qualquer conhecimento que possa auxiliar a investigação, com o objetivo de desviar a atenção das ações do presidente Trump e encobri-las, apesar dos legítimos apelos por respostas”, sublinhou a democrata. “Se esta comissão está realmente empenhada em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein, não se basearia em entrevistas sensacionalistas para obter respostas do nosso atual presidente sobre o seu envolvimento; questioná-lo-ia diretamente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que o seu nome aparece nos arquivos de Epstein.”.Hoje Hillary, amanhã Bill. Casal Clinton testemunha sobre Jeffrey Epstein.A história por trás do quadro de Clinton nos ficheiros Epstein