O número de reclusos na Rússia caiu para 282 mil, quase metade do que eram em 2021, em grande parte devido aos numerosos contratos para combater na Ucrânia, reconheceu esta quinta-feira, 14 de maio, o Serviço Penitenciário Federal Russo."Se no final de 2021 tínhamos 465 mil reclusos, agora temos 282 mil, dos quais 85 mil estão em prisão preventiva", admitiu o diretor do serviço, o general Arkady Gostev, à TASS.Entre os principais fatores que contribuem para a redução da população prisional, explica o responsável, está o aumento das penas que envolvem serviço comunitário ou outras alternativas à prisão, como a prisão domiciliária e as restrições de circulação.Gostev reconheceu especificamente que "nos últimos tempos, o trabalho por contrato para as Forças Armadas teve um certo impacto" e indicou que grande parte dos bens produzidos nas prisões russas se destina ao exército e à campanha militar na Ucrânia.Aproximadamente 16 mil reclusos participam nestes esforços anualmente, fabricando bens no valor de cerca de 5,5 mil milhões de rublos (aproximadamente 64 milhões de euros).O diretor do Serviço Penitenciário Federal Russo admitiu também que muitas prisões russas estão em condições precárias, explicando que "a última foi construída em 1984" e que só este ano foi inaugurada uma nova, na região de Kazan."Felizmente, muitas delas foram construídas em alvenaria e tijolo e podem ser mantidas em boas condições através do trabalho prisional. Parte da receita gerada nas prisões é destinada ao seu desenvolvimento e manutenção", aditou.Desde o início da guerra com a Ucrânia, a Rússia recrutou um grande número de reclusos, uma prática popularizada pelo grupo de mercenários Wagner, e posteriormente aprovou leis que permitiam aos presidiários que se alistassem para combater na Ucrânia escapar à justiça.