MNE confirma que há um cidadão português a bordo do cruzeiro em que já morreram três pessoas
ELTON MONTEIRO/LUSA

MNE confirma que há um cidadão português a bordo do cruzeiro em que já morreram três pessoas

Membro da tripulação, português encontra-se bem. Representante da OMS em Cabo Verde refere que a situação no Hondius está “sob controlo”, após três mortes associadas a uma síndrome respiratória aguda.
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Um cidadão português está a bordo do cruzeiro Hondius em que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), morreram três pessoas na sequência de uma síndrome respiratória aguda, disse esta segunda-feira, 4 de maio, à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

De acordo com a mesma fonte, o cidadão português é membro da tripulação e, até ao momento, não requereu nenhum pedido de ajuda diplomática.

"A informação que temos, até ao momento, é de que o cidadão português se encontra bem", garantiu a fonte do MNE, por telefone, à Lusa.

O Ministério da Saúde de Cabo Verde informou esta segunda-feira que três pessoas apresentam sintomas, mas estão estáveis, a bordo do navio de cruzeiro Hondius.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que pelo menos um caso de hantavírus, um grupo de vírus raro, associado sobretudo a roedores, foi confirmado em laboratório.

A representante da OMS em Cabo Verde, Ann Lindstrand, disse, entretanto, à Lusa que a situação no navio de cruzeiro Hondius está “sob controlo”, após três mortes associadas a uma síndrome respiratória aguda.

“A situação está sob controlo e as equipas médicas estão agora no barco” a avaliar dois membros da tripulação, com sintomas, que um avião ambulância pode vir a socorrer a partir da Praia para os Países Baixos, origem do barco.

Uma terceira pessoa, que partilhava cabine com um dos mortos, pode também vir a ser transportada, mas todo o cenário está a ser avaliado por equipas médicas especializadas, informou.

“Quero felicitar as autoridades de Cabo Verde pela resposta rápida e profissional, desde a primeira hora”, disse Ann Lindstrand.

Equipas médicas já foram várias vezes ao barco, que parou à entrada do porto da cidade da Praia, no domingo, sem desembarques permitidos, para proteção da saúde pública e seguindo normas internacionais, indicaram as autoridades cabo-verdianas.

Há 147 pessoas de 23 nacionalidades na embarcação.

As equipas médicas têm subido a bordo com fatos de proteção integral e “estão prontas para fazer uma transferência do barco para ambulância e para o aeroporto”. 

“As autoridades cabo-verdianas têm experiência em transferências médicas e tenho confiança que esta seja rápida e profissional, assim tenhamos o horário da ambulância aérea”, explicou a representante da OMS à Lusa.

Amostras de sangue e urina dos dois casos sintomáticos no barco estão a caminho da Praia para o Instituto Pasteur, em Dacar, Senegal, a cerca de 600 quilómetros, “para serem analisadas com a ajuda de OMS”, esperando-se resultados até terça-feira.

Para quem está no barco, “é uma situação muito difícil, esta espera, do ponto de vista da saúde mental, sabendo o que aconteceu com os casos graves. Mas o capitão e as autoridades de saúde estão a informar continuamente os passageiros”, descreveu.

Após a eventual transferência médica dos casos sintomáticos, o barco deverá seguir viagem para as Canárias, como inicialmente previsto no cruzeiro que arrancou da Argentina, para semanas de observação da natureza na Antártida e ilhas do Atlântico sul.

“Estamos a planificar, com as autoridades espanholas, uma investigação mais profunda, porque o papel da OMS, neste momento, é avaliar o risco de saúde pública. Estamos a fazer um rastreio para investigar de onde vem o vírus”, já confirmado num dos casos graves, de um homem britânico sob cuidados intensivos na África do Sul.

Análises genómicas estão ainda a ser feitas a este caso confirmado “para saber se é o tipo de hantavírus (tipo dos Andes) que pode ser transmitido entre pessoas”, uma situação “muito rara”, referiu.

Segundo Ann Lindstrand, “o risco nacional, em Cabo Verde, é muito baixo, o risco regional é baixo e, a nível global, ainda estamos a ver, porque o barco desembarcou em diferentes ilhas”.

Seja como for, “o risco de transmissão [de hantavírus] entre pessoas é muito baixo”, reiterou – no entanto, nos casos em que evolui, “a doença é grave e a taxa de mortalidade é de 35%, pelo que temos de fazer tudo para proteger a população”, acrescentou.

As primeiras vítimas mortais foram um casal, um homem holandês de 70 anos, cujo corpo foi retirado do navio na ilha de Santa Helena, e a esposa de 69 anos, transportada para a África do Sul, onde morreu devido a complicações antes de conseguir regressar a casa.

Na ilha de Ascensão, um britânico foi retirado do barco e transportado para os cuidados intensivos, onde permanece, na África do Sul – sendo este o caso positivo de hantavírus.

Em declarações à Associated Press (AP), a Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo cruzeiro, informou que o corpo de uma terceira vítima ainda se encontrava a bordo do navio em Cabo Verde e que a sua prioridade era garantir que dois tripulantes que estão doentes recebiam assistência médica.

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