Três mortos ligados a foco de síndrome respiratória aguda num cruzeiro. Há mais três casos suspeitos
Oceanwide Expeditions

Três mortos ligados a foco de síndrome respiratória aguda num cruzeiro. Há mais três casos suspeitos

No domingo, as autoridades sanitárias cabo-verdianas prestaram assistência ao navio, que se encontra ao largo da cidade da Praia. Três pessoas apresentam sintomas mas encontram-se estáveis.
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Três pessoas morreram e uma encontra-se hospitalizada devido a um surto de síndrome respiratória aguda detetado num navio de cruzeiro que fazia a ligação entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde.

As autoridades sanitárias cabo-verdianas prestaram no domingo, 3 de maio, assistência, ao largo da cidade da Praia, ao navio cruzeiro MV Hondius, disse à Lusa fonte governamental.

Profissionais de saúde com equipamento de proteção integral subiram a bordo do navio holandês Hondius, que se encontra parado a alguma distância do porto da Praia, visível a partir da capital.

Foi realizada uma operação de avaliação e assistência médica e, segundo a mesma fonte, não haverá desembarque de qualquer pessoa no arquipélago.

Já esta segunda-feira, 4, o Ministério da Saúde de Cabo Verde informou que três pessoas apresentam sintomas, mas estão estáveis. “A embarcação transporta 147 pessoas, entre passageiros e tripulação” e, “deste total, três pessoas apresentam sintomas e foram devidamente avaliadas e assistidas por uma equipa de saúde, encontrando-se atualmente clinicamente estáveis”, detalhou o ministério, em comunicado, sobre a situação a bordo.

Uma articulação internacional “tem permitido uma resposta célere, segura e tecnicamente adequada, garantindo o acompanhamento clínico dos doentes e a preparação de todas as medidas de precaução necessárias, incluindo uma possível evacuação sanitária por via aérea através de avião ambulância dos pacientes em seguimento”, indicou.

O Ministério da Saúde assegurou ainda que “a situação está sob controlo, não existindo, até ao momento, qualquer risco para a população em terra”. 

“Após avaliação técnica e epidemiológica, as autoridades sanitárias nacionais decidiram não autorizar a atracação no porto da Praia, por precaução”, lê-se no comunicado.

Segundo o documento, foi seguido “o Regulamento Sanitário Internacional, com o objetivo de proteger a saúde pública”.

“A assistência médica necessária está a ser assegurada por uma equipa destacada para o efeito, composta por médicos especialistas, enfermeiros e técnicos de laboratório. Foram igualmente preparadas medidas de resposta hospitalares para eventual necessidade de cuidados diferenciados no Hospital Dr. Agostinho Neto”, na capital, Praia.

O trabalho está a ser coordenado entre as estruturas de saúde, portuárias, com o suporte da OMS e em ligação com as autoridades dos Países Baixos, de onde é originário o navio, e do Reino Unido, país de origem de pelo menos uma das pessoas afetadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a existência de casos de síndrome respiratória aguda grave, acrescentando que estão em curso investigações e uma resposta internacional coordenada de saúde pública.

"Hoje, um caso de infeção por hantavirus foi confirmado em laboratório e cinco outros casos são suspeitos. Das seis pessoas afetadas, três morreram e uma está atualmente em cuidados intensivos na África do Sul", disse no domingo fonte da OMS à agência France Presse.

A embarcação fazia a ligação entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde.

Segundo informação transmitida às autoridades cabo-verdianas, o navio esteve no Atlântico Sul visitando diversas ilhas para turismo de observação da vida selvagem.

Além dos mortos, um terceiro passageiro, cidadão britânico de 69 anos, foi hospitalizado em Joanesburgo, África do Sul, tendo testado positivo para hantavírus - um grupo de vírus que pode provocar febres hemorrágicas -, anunciaram as autoridades sul-africanas.

A empresa Oceanwide Expeditions referiu em comunicado emitido no domingo, já após a visita das autoridades cabo-verdianas que o navio enfrenta uma "grave situação médica a bordo" e que dois tripulantes necessitavam de cuidados urgentes.

"As autoridades neerlandesas concordaram em liderar um esforço conjunto para organizar o repatriamento dos dois indivíduos sintomáticos a bordo do m/v Hondius de Cabo Verde para os Países Baixos", informou, acrescentando que o corpo de uma pessoa morta será incluido neste repatriamento.

Segundo a Associated Press, o MarineTraffic, site global que monitoriza navios, localiza o cruzeiro de bandeira holandesa como estando atualmente ao largo da Praia, capital de Cabo Verde.

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