Meta defende verificação de idade nas lojas de aplicações para reforçar segurança online de menores
Foto: Conor McCabe Photography

Meta defende verificação de idade nas lojas de aplicações para reforçar segurança online de menores

De passagem por Lisboa, Antigone Davis, vice-presidente e Head of Global Safety da empresa dona do Facebook e Instagram, falou aos jornalistas sobre o difícil equilíbrio entre identificar a idade dos utilizadores e garantir a sua privacidade.
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“Acreditamos que um sistema que exija algum tipo de verificação de idade ao nível da loja de aplicações do sistema operativo, que nos forneça o sinal de idade para identificarmos se a pessoa tem mais de 18, menos de 18, mais de 16, menos de 16, mais de 13 ou menos de 13 anos, seria muito útil”, explicou a vice-presidente e Global Head of Safety da Meta. Numa sessão de informação em Lisboa, Antigone Davis garantiu que a empresa detentora de redes sociais como o Facebook ou o Instagram também fará a sua própria verificação de idade mas insistiu que considera "realmente importante ter este sinal em todas as aplicações”. 

“Para os adolescentes com menos de 16 anos, gostaríamos que os pais aprovassem o download da aplicação”, prosseguiu a vice-presidente da Meta. E explicou: “Isto é muito importante porque, em primeiro lugar, queremos ter a certeza de que os pais consideram os seus filhos adolescentes aptos para utilizar a aplicação, caso tenham menos de 16 anos. Além disso, isto permite-nos conceder o controlo parental diretamente aos pais”.

Questionada se a Meta não está a tentar passar a responsabilidade de garantir a segurança online dos menores para terceiro, sejam os pais ou as lojas de aplicações, garantiu: “Absolutamente não. A Meta tem com certeza responsabilidades”. E deu o exemplo da gestão de conteúdos. “Não estamos a tentar transferir a gestão de conteúdos para os pais, temos políticas e tecnologia implementadas para gerir o conteúdo e para que os pais tenham algo em que possam confiar”. Mas admite: “Também queremos garantir que os pais que desejam uma experiência mais restritiva para os seus filhos adolescentes têm as ferramentas necessárias para o fazer. E é por isso que criámos a configuração de conteúdo limitado”. E acrescenta: “Queremos dar-lhes a oportunidade de desempenharem um papel na vida dos seus filhos adolescentes. Os pais sentem que têm essa responsabilidade.”

Na Meta há 12 anos, Antigone Davis lembrou que a sua formação é em direito, mas também em educação. E explicou que “ser professora, ser mãe e ser advogada influenciaram muito" a forma como pensa sobre o trabalho que fazem. A Global Head of Safety da empresa fundada por Mark Zuckerberg recordou ainda que antes de criar as suas Contas de Adolescentes, a Meta realizou um inquérito junto de 150 mil pais e concluiu que estes têm três grandes preocupações em relação à segurança online dos filhos menores: com quem é que se estão a conectar, com que conteúdo estão a interagir e quanto tempo passam nas redes sociais. E foi com base nessas preocupações que a Meta criou “mais de 50 ferramentas” para garantir a segurança e bem-estar dos menores online. Uma delas é o filtro de comentários, ativado automaticamente para os menores, que identifica palavras “proibidas”, num esforço para travar o bullying online. 

De passagem por Portugal numa altura em que o parlamento aprovou, no passado mês de fevereiro, um projeto de lei que restringe o acesso a redes sociais para menores de 16 anos, seguindo o exemplo de outros países, como Austrália, França, Grécia ou Reino Unido, Antigone Davis admite que controlar a idade dos utilizadores dos seus serviços é um dos grandes desafios para a Meta. Apesar das ferramentas de previsão da idade ou de uma estimativa da idade com base na estrutura facial, a vice-presidente admite que a empresa procura um difícil equilíbrio entre garantir que tem a idade correta, mas sem invadir a privacidade dos utilizadores. 

Admitindo que as leis têm por vezes dificuldade em acompanhar a evolução da tecnologia, Antigone Davis volta a insistir no papel das lojas de aplicações num maior controlo da segurança online dos menores. Mesmo se admite que, apesar de estarem em diálogo com a Google e a Apple, os gigantes do sector, têm “encontrado alguma resistência”. 

Em suma, a vice-presidente da Meta explica que precisam "de estar constantemente atentos e a adaptar-nos para garantir que estamos a fazer o nosso trabalho para proporcionar uma experiência segura e adequada à idade”. Mas admite que “falando muito francamente, as pessoas vão conseguir contornar" os sistemas. "Elas tentarão infringir as regras, isso vai acontecer. Os pais devem estar cientes disso”, diz. 

Apesar desta constatação, Antigone Davis deixa o que apresenta como um exemplo de sucesso das políticas da Meta. “Desde que lançámos as contas para adolescentes, os nossos dados mostram que estes veem menos conteúdo prejudicial, recebem menos contactos indesejados e passam menos tempo na aplicação sem serem convidados. Isto demonstra definitivamente que as ferramentas que estamos a lançar estão a surtir efeito”, afirma.

E faz questão de sublinhar que “o último ponto é realmente importante” porque “sabíamos, quando lançámos as Contas para Adolescentes, que havia uma hipótese significativa de eles passarem menos tempo na plataforma. E estávamos bem com isso. E isso é complicado porque as pessoas pensam que tudo o que queremos é maximizar o tempo que os jovens passam na nossa plataforma. Mas nesse momento tomámos a decisão de proporcionar uma determinada experiência e se isso significasse menos tempo, tudo bem.”

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