Mesmo que democratas vençam intercalares, Trump não será “neutralizado”, diz seguradora Coface
Para a companhia de seguros de crédito Coface, uma eventual vitória dos democratas nas eleições intercalares não irá parar a governação por decreto do presidente dos EUA, Donald Trump, e as suas eventuais consequências para a economia norte-americana, que deverá desacelerar entre este e o próximo ano.
A Coface lançou a análise em antecipação às eleições intercalares que se vão realizar esta terça-feira e que tem o Partido Democrata “amplamente favorito” para conquistar ambas as câmaras do Congresso dos EUA. Para a seguradora, mesmo que o façam, Trump vai continuar, ainda assim, “particularmente ativo nas áreas do comércio e da política externa com o risco de novas escaladas”.
Porém, lê-se, esta alteração “não permite aos Democratas aprovar leis por si só, uma vez que qualquer proposta está sujeita a veto presidencial”, algo que pode criar uma "situação de bloqueio”.
“Este impasse poderá ter consequências concretas para a economia norte-americana”, considerou a seguradora, notando que “o teto da dívida, elevado para cerca de 41,1 mil milhões de dólares em julho de 2025, deverá ser atingido em 2027 e exigirá uma nova votação no Congresso”.
“Um bloqueio prolongado em torno deste limite – ainda que improvável, dado o interesse de ambos os partidos em evitá-lo – poderá desencadear um incumprimento técnico acidental”, destaca a seguradora, sublinhando que o impasse pode também “fazer subir ainda mais as taxas de juro da dívida pública norte-americana” e “agravar o custo do crédito para empresas e famílias”.
E, ao manter-se uma grande margem de manobra de governação na Casa Branca, a seguradora tem como “principal fonte de preocupação” a “política tarifária”, que ainda está muito nas mãos de Trump.
“Está em curso uma investigação ao abrigo da Secção 301 que visa 16 grandes parceiros comerciais acusados de manterem capacidade industrial excedentária. O âmbito da investigação e os produtos que poderão ser afetados ainda não são conhecidos”, lê-se, podendo vir a afetar a China e a União Europeia, principalmente.
“As eleições intercalares poderão produzir um paradoxo: limitar Donald Trump na política interna sem reduzir, na mesma medida, a sua capacidade de ação internacional. O risco não é, por isso, tanto o de um Trump paralisado, mas sim o de um presidente que concentra os seus esforços nas áreas onde o Congresso tem menos influência: o comércio e a política externa”, indicou, em comunicado, o economista Marco Carias, responsável da Coface para a América do Norte.


