Como se não bastasse uma economia a abrandar, o Departamento de Segurança Interna em shutdown ou o sem-fim de notícias relacionadas com o caso Epstein, o presidente Donald Trump chega esta terça-feira, 24 de fevereiro (madrugada de quarta-feira, 25, em Lisboa), ao seu discurso do Estado da União enfraquecido pela decisão do Supremo Tribunal, na sexta-feira, contra as tarifas aduaneiras - grande bandeira do seu segundo mandato.Empenhado em usar o discurso diante das duas câmaras do Congresso - e exibido em horário nobre nas televisões americanas - para fazer um balanço positivo deste primeiro ano desde o seu regresso à Casa Branca, focando-se mais na política interna, Trump parece neste momento não poder contar nem com a economia nem com a imigração como vantagens. Eleito em 2024 com a promessa de controlar a imigração e baixar a inflação, o presidente republicano teve de deixar de fora o financiamento do Departamento de Segurança Interna do acordo com os democratas para evitar o bloqueio total do governo, mergulhando-o num shutdown que já se arrasta há uma dezena de dias. Isto depois de os democratas terem exigido a revisão da forma de atuação dos agentes do ICE (sigla em inglês dos Serviços de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA) que levou à morte de dois cidadãos americanos em operações em Minneapolis. Quanto à economia, os últimos número, divulgados também na sexta-feira, revelaram um crescimento de 1,4% no último trimestre de 2025, bem abaixo dos 4,4% do trimestre anterior. E uma sondagem AP-NORC Center for Public Affairs divulgada ontem mostrou que só 39% dos inquiridos confiam na gestão de Trump da economia. Outro estudo, esse do instituto Ipsos para o Washington Post e para a ABC News mostra que seis em cada dez americanos desaprovam a atuação do presidente, no geral, destes, 47% desaprovam fortemente. Valores semelhantes apenas aos que Trump teve depois do ataque ao Capitólio, em janeiro de 2021, a dias de deixar o cargo. Mesmo se o milionário mantém a base de apoio, com 85% dos republicanos a apoiá-lo, a menos de nove meses de umas eleições intercalares em que o partido espera manter a maioria que tem em ambas as câmaras dos Congresso.Depois de na sexta-feira ter considerado a decisão do Supremo como “profundamente dececionante” e ter acusado os juízes que votaram a favor de anular as tarifas foram “antipatriotas e desleais” para com a Constituição, Trump no sábado anunciou na Truth Social que elevaria as tarifas globais de importação para 15%, menos de 24 horas após ter informado que usaria um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. E ontem, o presidente voltou a usar a sua rede social para ameaçar com “uma tarifa muito mais alta e pior” os países que “brinquem” com a decisão do Supremo. .Perante este cenário, o Parlamento Europeu decidiu ontem adiar pela segunda vez a votação do acordo comercial da União Europeia com os EUA. O acordo estabelece uma taxa aduaneira dos EUA de 15% para a maioria dos produtos da UE, com exceção dos abrangidos por tarifas setoriais, como o aço, com tarifas zero sobre alguns produtos, como aeronaves e peças sobressalentes. A UE comprometeu-se a eliminar os direitos de importação sobre muitos produtos dos EUA. Não está claro se a nova tarifa de 15% de Trump substitui o acordo. Se assim for, as isenções poderão desaparecer.A Comissão Europeia, entretanto, exigiu um esclarecimento aos EUA. “A situação atual não é propícia à realização de comércio e investimento transatlânticos ‘justos, equilibrados e mutuamente benéficos’”, afirmou a Comissão.Também a China reagiu à decisão do Supremo, afirmando estar a fazer uma “avaliação completa” da situação e instou Washington a levantar “medidas tarifárias unilaterais” sobre os parceiros comerciais, alertando que uma disputa entre os dois países seria “prejudicial”.As questões internas não serão as únicas na mente de Trump nesta terça-feira à noite. O presidente fala à nação num momento em que os EUA continuam a reforçar o contingente militar no Médio Oriente, com dois porta-aviões já na região prontos para um eventual ataque contra o Irão. Isto quando estão previstas novas negociações com Teerão na quinta-feira. “Ninguém quer ir para um Estado da União com uma questão de política externa a pairar sobre a cabeça”, afirmou uma fonte próxima da Casa Branca ao Politico. Do lado democrata, a resposta ao Estado da União ficará a cargo da governadora da Virginia, Abigail Spanberger. A antiga agente da CIA tornou-se em janeiro na primeira mulher a governar aquele estado, tendo derrotando a republicana Winsome Earle-Sears. .Trump aumenta nova tarifa global de 10% para 15% após decisão do Supremo