Um povo é responsável pelos destinos do seu país. Os norte-americanos, os que votaram e mesmo os que não votaram em Donald Trump, têm, em breve, a responsabilidade democrática de decidir os destinos dos Estados Unidos.Poderão fazê-lo já nas eleições intercalares de Novembro, nas quais, com o seu voto, vão escolher os 435 deputados da Câmara dos Representantes e os 100 senadores que vão constituir o Senado.Com a sua escolha vão decidir qual dos partidos (democratas ou republicanos) ficará com maioria nas duas câmaras. O Partido Republicano de Trump tem hoje uma maioria confortável no Senado e uma maioria marginal na Câmara dos Representantes.Esta é a primeira oportunidade para os norte-americanos retirarem força política a um presidente que tem sido errático, disforme, imprevisível na política norte-americana e que está a lançar o caos no mundo. Se o Partido Republicano perder a maioria nas duas câmaras isso poderá ser fatal para Trump.Há, actualmente, uma fractura no governo norte-americano expressa na postura de afastamento do vice-presidente JD Vance, que não concorda com a política externa praticada por Trump, ao contrário do Secretário de Estado Marco Rubio, que tem defendido uma presença forte dos Estados Unidos no mundo.Ao longo dos últimos meses a facção mais populista do movimento MAGA (Make America Great Again) tem registado dissidências que têm vindo a fragilizar Donald Trump.Caso o partido republicano perca a maioria nas duas câmaras nas eleições intercalares de Novembro as coisas vão ficar negras para Trump.Trump será atolado em inquéritos sobre as decisões polémicas que tem tomado e que o vão ocupar, deixando-lhe pouca disponibilidade para governar.É bem possível que perdendo a maioria nas próximas eleições intercalares a parte escondida dos ficheiros Epstein surja, finalmente, à luz do dia, dando a conhecer todos os envolvidos e os nomes das figuras mais poderosas que de algum modo tiveram contactos com Jeffrey Epstein.O resultado das eleições intercalares será também decisivo na política externa dos Estados Unidos.Se passarmos em revista o resultado da febre imperialista de Trump, tudo espremido é muito pouco. Sabemos as actuais consequências da intervenção no Irão, que está a lançar o caos económico e financeiro no mundo por via do encerramento do Estreito de Ormuz.Não há uma certeza absoluta, mas é quase inconcebível que o Pentágono não tenha avisado Trump da probabilidade do Irão encerrar o Estreito de Ormuz caso fosse atacado. Parece não ter havido uma planificação e uma análise responsável de risco por parte de Trump e dos seus apoiantes mais próximos num ataque ao Irão. No dia em que escrevo esta crónica começou a habitual narrativa tergiversante de Trump com a sua afirmação da suspensão dos ataques ao Irão por cinco dias e a apresentação de propostas quase inconciliáveis das duas partes. Veremos!!!Depois, noutras geografias, já sabemos o resultado das investidas erráticas do presidente norte-americano.A tentativa de ocupar a Gronelândia suscitou uma forte reacção dos seu habitantes e da Dinamarca. Portanto tudo como dantes, quartel em Abrantes...Na Venezuela, Trump afastou Maduro, mas o chavismo continua de boa saúde com a presidente Delcy Rodríguez a gerir uma transição cujos contornos não são, por agora, conhecidos. Há, ainda, presos políticos, o regime não se democratizou e a única consequência foi a entrada de novas empresas petrolíferas (sempre o petróleo) no país.Do Canadá e de toda a prosápia de Trump sobre este país o primeiro-ministro Mark Carney, em Davos, no World Economic Forum, reafirmou de modo bastante vigoroso a soberania e a identidade política do Canadá.Agora, mais recentemente, temos Cuba na agenda trumpista. Trump afirmou que “terá a honra de tomar Cuba de alguma forma”. Ainda não o fez, mas o país já está às escuras devido à imposição de Trump ao impedir a Venezuela de enviar petróleo para Havana.Não concordamos com os regimes ditatoriais da Venezuela, do Irão, de Cuba, mas Trump foi totalmente inoperante na tentativa de derrubar estas ditaduras.Trump é um presidente incompetente. As eleicões intercalares são uma primeira oportunidade para o reenviar para a Trump Tower de onde nunca devia ter saído, para sossego dos Estados Unidos e do Mundo. Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico