Três autarcas das províncias mais atingidas pelo conflito na Ucrânia participaram esta terça-feira, 12 de maio, no segundo e último dia do ACT NOW Mayors, que se realizou no Centro de Congressos do Estoril no âmbito do Cascais-Capital Europeia da Democracia 2026, para relatar os desafios de governar e criar confiança entre os cidadãos, mantendo ao mesmo tempo condições, como as comunicações e vida cívica, em territórios em guerra.“Mesmo a 27 quilómetros da frente de batalha, estamos a construir uma comunidade”, explicou Denys Korotenko, presidente da Câmara de Shyroke, na província de Zaporíjia. “A guerra trouxe-nos sofrimento e dor. Mas não nos quebrou. Uniu-nos ainda mais”, desabafou a autarca de Dobroslav, na província de Odessa, Liudmyla Prokopechko.“A coisa mais importante é deixar as pessoas saber que não estão esquecidas e que fazem parte da comunidade. Porque uma comunidade existe onde as suas pessoas estão - e nenhuma ocupação pode quebrar esse laço”, explicou ainda Natalia Petrenko, chefe da Administração de Shulhinka, na província de Luhansk.Esta última autarca lembrou que esta comunidade inclui também aqueles que se encontram fora da Ucrânia, mas que continuam a precisar, e a querer, manter uma ligação com a sua terra natal. Tarefa que, no caso de Shulhinka, se torna mais complicada pois está ocupada pelas forças russas. “A Rússia controla os canais de comunicação, por isso qualquer mensagem pode colocar as pessoas em perigo”, explicou Natalia Petrenko. Para contornar estas restrições usam telemóveis comprados antes da guerra, pois os que são adquiridos agora nas zonas controladas por Moscovo podem ter instaladas aplicações para controlar as comunicações.Outra preocupação, notou Liudmyla Prokopechko, é dar atenção aos grupos mais vulneráveis, como os idosos, por exemplo. “Não se pode esperar que os mais vulneráveis venham ter connosco, temos de ir ter com eles”, explicou a autarca de Dobroslav, referindo que têm um registo de todos os cidadãos, “para que ninguém seja esquecido no apoio que damos”. E aqui é também importante não esquecer que nem todos vivem no centro da comunidade, mas também em locais mais remotos. “Temos todos os nossos serviços disponíveis via telemóvel para serem mais acessíveis, usamos grupos de chat, redes sociais, e para que isto funcione estamos a apostar na inclusão digital”, acrescentou Prokopechko..Centenas de ucranianos lembraram em Lisboa que a guerra continua