Começando por considerar a Conferência de Segurança de Munique (CSM) como "um sismógrafo da situação política", Friedrich Merz destacou o lema deste ano daquela reunião, "Sob Destruição", admitindo que é um pouco "sombrio". Mas o chanceler alemão explicou que "precisamos de usá-lo em termos ainda mais duros", uma vez que a ordem mundial a que nos habituámos "já não existe"."A Europa acaba de regressar de umas férias da história", afirmou Merz na abertura da CSM. Para o chefe do governo alemão, estamos agora a enfrentar uma era "marcada pela política das grandes potências", incluindo o "revisionismo violento" da Rússia que se manifestou na invasão da Ucrânia, cujo quarto aniversário se assinala no dia 24. O chanceler lembrou que a China "quer ser líder na reformulação do mundo" e que a reivindicação dos EUA à liderança global "foi desafiada e possivelmente perdida".Numa espécie de resposta ao discurso do vice-presidente dos EUA, JD Vance, no ano passado na Conferência de Munique, Merz concordou que se abriu uma brecha entre a Europa e os EUA em certas questões, mas sublinhou que "a batalha cultural do MAGA [Make America Great Again] nos EUA" não é a da Europa e que "a liberdade de expressão aqui termina quando as palavras proferidas são contra a dignidade humana e a nossa lei fundamental". Este ano, a Administração Trump vão fazer-se representar pelo secretário de Estado, Marco Rubio, cujo discurso está agendado para sábado, 14 de fevereiro.Numa crítica às políticas seguidas pela Administração Trump, o chanceler alemão lembrou que na Europa "não acreditamos em tarifas e protecionismo, mas sim no comércio livre. Cumprimos os acordos climáticos e a OMS [Organização Mundial de Saúde] porque estamos convencidos de que os desafios globais só podem ser resolvidos em conjunto.".Europa chegou à “dolorosa” conclusão de que tem de ser mais autónoma face a uns EUA voláteis.E deixou um alerta aos aliados americanos, trocando o alemão com que começara o discurso pelo inglês: "Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os EUA serão poderosos o suficiente para agir sozinhos". Merz recordou que, durante gerações, "a confiança entre aliados, parceiros e amigos fez da NATO a aliança mais forte de todos os tempos" e que "a Europa sabe profundamente como isso é precioso". Dirigindo-se à delegação dos EUA presente na sala, o chanceler prosseguiu: "Caros amigos, fazer parte da NATO não é apenas uma vantagem competitiva para a Europa, é também uma vantagem competitiva para os EUA. Por isso, vamos reparar e reviver juntos a confiança transatlântica. Nós, europeus, estamos a fazer a nossa parte."No final, questionado sobre a Ucrânia, Merz respondeu com uma crítica ao húngaro Viktor Orbán, lembrando a história de "um primeiro-ministro" da UE que viajou para Moscovo sem mandato dos 27, "não conseguiu nada" e, uma semana depois, a Ucrânia sofreu alguns dos "ataques mais violentos à infraestrutura civil". E prosseguiu: "Portanto, se fizer sentido conversar, estamos dispostos a conversar. Mas, como se pode ver com o lado americano, a Rússia ainda não está disposta a conversar seriamente." Merz mostrou-se convencido que a guerra "só terminará quando a Rússia estiver, pelo menos economicamente e, potencialmente, militarmente, exausta". E garantiu: "Estamos a aproximar-nos desse momento... mas ainda não chegámos lá"..Merz insta Alemanha e Europa a assumirem liderança económica e militar