Aprimeira ministra italiana, Giorgia Meloni, e a sua homóloga dinamarquesa, Mette Frederiksen, publicaram esta segunda-feira, 10 de agosto, nas redes sociais uma declaração conjunta em que condenam “a imigração descontrolada para a Europa”, lembrando os esforços levados que têm sido levados a cabo por Roma e Copenhaga para contrariar este fenómeno. Um comunicado que surge depois da chegada em massa de milhares de migrantes não autorizados ao enclave espanhol de Ceuta no final de julho.Recordando que são as únicas chefes de governo mulheres na União Europeia - “uma lidera um grande país no Sul, a outra um pequeno país no Norte” - e que esta sua parceria pode intrigar muita gente pois “vimos de posições políticas muito diferentes, certamente não concordamos em tudo”, Giorgia Meloni, de extrema-direita, e a social-democrata Mette Frederiksen sublinham que estão “unidas pelo nosso desejo de defender a Europa”.“Não aceitamos a imigração descontrolada para a Europa e temos promovido uma política migratória rigorosa, tanto nos nossos próprios países como em toda a Europa”, referem as duas governantes na sua declaração conjunta. “Ninguém pode negar os impactos negativos da imigração ilegal nas nossas sociedades: aumento das taxas de criminalidade, pressão crescente sobre os serviços públicos e erosão da confiança pública. É particularmente grave quando os migrantes ilegais, que não têm direito a permanecer nos nossos países, cometem crimes violentos, traficam drogas ou são responsáveis por violência sexual”.Conhecidas pela suas políticas duras em relação à imigração, as duas governantes foram as vozes que mais se insurgiram contra a crise no enclave espanhol de Ceuta, tendo liderado uma carta aberta às instituições da UE - assinada por outros 20 Estados-membros - apelando a uma ação coordenada para combater a imigração ilegal e reforçar as fronteiras externas. De referir ainda que Meloni tem sido uma das mais duras críticas das políticas migratórias do governo socialista de Pedro Sánchez, com Roma a anunciar na última sexta-feira o início de controlos fronteiriços para viajantes vindos de Espanha. Em resposta, Madrid decidiu fazer o mesmo para os visitantes oriundos de Itália. Numa visita feita esta segunda-feira ao enclave, o ministro espanhol da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, disse ser “necessário priorizar o reagrupamento familiar dos menores que estão em Ceuta”, referindo que “é um processo que não é fácil, mas deve ser prioritário junto do governo de Marrocos e das famílias”. Quanto ao número de menores migrantes que se encontram em Ceuta, Torres indicou que “o contingente poderá rondar os 1.400”.Na sua declaração, Meloni e Frederiksen questionaram o que mais se pode fazer para combater a “imigração descontrolada”, sublinhando que é preciso “criar centros de repatriamento em países terceiros, bem como outras soluções inovadoras fora da Europa”. “Estamos a trabalhar arduamente nisso”, pode ler-se na declaração conjunta, numa referência aos centros de retorno, solução que Itália tem testado na Albânia e que faz agora parte da legislação comunitária.“Mas isso não chega. O cumprimento das nossas leis deve caminhar lado a lado com o respeito pelos valores europeus. Isto aplica-se aos migrantes em situação irregular, mas também aos milhões de cidadãos estrangeiros que vivem legalmente nos nossos países e em toda a Europa”, acrescentam as duas líderes. “Ambas nos orgulhamos da herança cultural cristã da Europa e queremos protegê-la”..Bruxelas: regularização de migrantes “não é um bom sinal”, mas não teve ligação à crise de Ceuta.Espanha dá ultimato a Itália para levantar controlos fronteiriços e ameaça com “medidas proporcionais”