O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, deverá deslocar-se esta semana a Roma e ao Vaticano, numa visita que surge semanas depois de um confronto público entre o presidente dos Estados Unidos e o líder da Igreja Católica.Segundo a agência Reuters, que cita uma fonte do Vaticano, Rubio, que é católico, deve encontrar-se com o papa na quinta-feira, 7 de maio. Uma fonte do governo italiano, citada pela AFP, acrescenta que Rubio tem ainda encontros previstos com o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani. A imprensa italiana adianta ainda reuniões com o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, durante a visita agendada para quinta e sexta-feira, quando se assinala o primeiro aniversário do papado de Leão XIV. Não há ainda informações oficiais sobre eventual encontro de Rubio com com a primeira-ministra italiana.Conflito no Irão agravou tensão A deslocação ocorre após críticas invulgarmente duras do presidente Donald Trump ao papa Leão XIV, motivadas pelas posições do pontífice contra a guerra e, em particular, após declarações sobre o conflito com o Irão.A 7 de abril, Leão XIV considerou “inaceitável” a ameaça de destruição do Irão e apelou aos cidadãos norte-americanos para exigirem que os seus representantes políticos “trabalhem pela paz”. Em resposta, Trump classificou o líder da Igreja Católica como “fraco no combate ao crime e terrível em política externa”, acrescentando numa publicação que “não é grande fã do papa Leão”.As declarações de Trump estenderam-se também à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que tinha defendido o pontífice. O presidente norte-americano afirmou, em entrevista ao jornal Corriere della Sera, estar “chocado” com Meloni: “Pensei que tinha coragem, mas estava enganado.” E acusou ainda a chefe do governo italiano de não apoiar suficientemente os Estados Unidos no quadro da NATO, ameaçando retirar tropas norte-americanas de Itália.Os meios de comunicação italianos interpretam a visita de Rubio como uma tentativa de “descongelar” as relações entre Washington, Roma e o Vaticano, num momento de forte tensão política e diplomática, escreve a AFP.O papa Leão XIV lidera a Igreja Católica desde maio de 2025, após a morte do papa Francisco, tendo adotado posições críticas em relação à política externa e migratória da administração norte-americana.(notícia atualizada às 14.44).Trump e o papa.Um papa é um papa, e este é americano