Reunião dos G7, esta sexta-feira em França
Reunião dos G7, esta sexta-feira em FrançaEPA/Philemon HENRY HANDOUT HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

"Se acham que fazem melhor, estejam à vontade". Marco Rubio e Kaja Kallas tiveram discussão acesa sobre a Rússia em reunião do G7

Kallas lembrou que Rubio havia afirmado há um ano que, se a Rússia dificultasse os esforços americanos para acabar com a guerra, os EUA perderiam a paciência e tomariam medidas drásticas.
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Kaja Kallas e Marco Rubio protagonizaram esta sexta-feira, 27 de março, um momento de tensão durante a reunião do G7, quando a chefe da diplomacia da União Europeu perguntou ao secretário de Estado norte-americano quando é que os Estados Unidos adotariam uma postura mais firme em relação à Rússia, avançam meios internacionais como o Axios e o italiano Corriere della Sera.

A tensa troca de palavras, que ocorreu perante os ministros dos negócios estrangeiros de países aliados em França, é sintomática da desconfiança mútua entre os Estados Unidos e os seus aliados europeus em relação à guerra na Ucrânia.

Kallas criticou os EUA por não terem aumentado a pressão sobre Moscovo e lembrou que Rubio, um ano antes no mesmo fórum, havia afirmado que, se a Rússia dificultasse os esforços dos EUA para acabar com a guerra, os EUA perderiam a paciência e tomariam medidas mais drásticas contra o Kremlin.

"Um ano passou e a Rússia não se mexeu. Quando é que a sua paciência vai acabar?", terá questionado Kallas a Rubio, que estava visivelmente irritado.

"Estamos a fazer o nosso melhor para acabar com a guerra. Se acham que podem fazer melhor, estejam à vontade que nós retiramo-nos", ripostou o norte-americano, que salientou que os Estados Unidos estavam a dialogar com ambos os lados, mas que estavam a ajudar apenas um deles, a Ucrânia, através do envio de armas, serviços de inteligência e outro tipo de apoios.

Após a acesa troca de palavras, vários ministros europeus intervieram para dizer que ainda queriam que os EUA procurassem a diplomacia entre a Rússia e a Ucrânia.

No final da reunião, mais calmos, Rubio e Kallas conversaram em privado.

O secretário de Estado dos Estados Unidos negou, numa conversa informal aos jornalistas, que tenha existido qualquer tensão. "Estes encontros são frequentemente sobre agradecer aos Estados Unidos pelo papel que desempenhamos... e sobre o reconhecimento pelo papel de mediação que tentamos desempenhar nesta guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ninguém ali grita, levanta a voz ou diz nada negativo", afirmou.

Os líderes europeus estão ansiosos com as conversações de paz entre Ucrânia e Rússia lideradas pelos Estados Unidos há largos meses, uma ansiedade que aumentou com a eclosão da guerra no Irão, sobretudo depois de os Estados Unidos terem concedido isenções para permitir a venda de petróleo russo, agora a preços cada vez mais elevados.

No passado fim de semana, uma delegação ucraniana de alto nível visitou Miami e reuniu-se com os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, para discutir o processo de paz, mas saíram da cidade da Florida a dizer que não foram feitos progressos significativos.

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