Manuel Vaz: "Paris é nova etapa do GLEX criado pela Expanding e o The Explorers Club de Nova Iorque"
GLEX Summit em Paris em 2027? É o início de uma nova fase deste projeto da sua Expanding e do The Explorers Club de Nova Iorque iniciado em 2019 em Lisboa?
Sim, Paris representa uma nova etapa de um projeto que a Expanding e o The Explorers Club de Nova Iorque criaram em conjunto, em Lisboa, em 2019. Depois de Otava, em 2025, chegamos agora a Paris, em 2027, com esta aliança com a UNESCO. GLEX Summit será entre 30 de setembro e 2 de outubro. Este percurso é fruto de um trabalho consistente, ao longo de vários anos, para o qual muitas pessoas e instituições contribuíram. É uma construção coletiva, feita de confiança, persistência e cooperação. Desde o início, a nossa ambição tem sido reunir os protagonistas da exploração ao mais alto nível e aproximá-los do público. Esta aliança permite dar uma dimensão ainda maior a essa missão, ligando exploração, ciência, educação e cultura. Para mim, tem um significado especial ver um projeto que nasceu em Portugal ganhar mundo, mantendo o espírito que lhe deu origem.
Esta sexta-feira é o segundo dia do GLEX Ignition em Coimbra. A cidade rendeu-se aos astronautas e cientistas?
Diria que este foi um primeiro encontro, que queremos que deixe sementes. Este é o nosso ano zero em Coimbra, com o GLEX Ignition, um formato mais próximo e concentrado, dedicado ao Espaço. Coimbra reúne condições muito interessantes: uma Universidade com uma história e um conhecimento extraordinários, centros de investigação, empresas tecnológicas e um ecossistema que se está a afirmar nesta área. O cluster Coimbra Supernova é uma expressão dessa ambição, e o GLEX pode ajudar a criar ligações com protagonistas internacionais da exploração espacial. Queremos que daí nasçam relações e oportunidades de cooperação. E queremos chegar aos mais novos. Ter o Andreas Mogensen a conversar com crianças no Exploratório traduz muito bem o que procuramos: tornar próximo aquilo que parece distante e mostrar que também elas podem participar neste futuro.
O dinamarquês Andreas Mogensen, antigo comandante da Estação Espacial Internacional, foi também um dos palestrantes no Convento São Francisco, aliás o primeiro. Pessoalmente, qual a mensagem de que mais o tocou?
Mais do que uma frase em particular, tocou-me a dimensão humana de alguém que assumiu a responsabilidade de comandar a Estação Espacial Internacional. Por detrás de uma missão extraordinária estão anos de preparação, disciplina, confiança e cooperação. Uma estação espacial depende de pessoas de diferentes países e áreas do conhecimento, que trabalham para um objetivo comum. Essa capacidade de juntar competências é uma das grandes forças da exploração. É também isso que queremos trazer ao GLEX: a oportunidade de ouvir diretamente quem esteve lá, quem assumiu essas responsabilidades e quem nos pode ajudar a compreender o que somos capazes de alcançar em conjunto.
O GLEX nasceu da associação dos 500 anos da viagem do português Fernão de Magalhães com os 50 anos da chegada do americano Neil Armstrong à Lua. Portugal + GLEX é para continuar?
É essa a nossa vontade. O GLEX nasceu em Portugal, em 2019, ligando os 500 anos do início da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães aos 50 anos da chegada de Neil Armstrong à Lua. Dois momentos extraordinários da exploração que nos deram o ponto de partida para um projeto com os olhos no futuro. Portugal tem talento, ciência e empresas com capacidade para participar nesse futuro. O nosso papel é ajudar a aproximá-los de uma comunidade internacional que representa a exploração ao mais alto nível. Coimbra foi agora o primeiro passo de uma nova relação, através deste ano zero do Ignition dedicado ao Espaço. Gostávamos que tivesse continuidade, construída com a cidade, a Universidade, o Coimbra Supernova e os parceiros que partilham esta ambição. A internacionalização do GLEX abre também novas possibilidades para essas ligações.
Em 2028, está previsto um ser humano de novo na Lua, no âmbito do programa Artemis. Seja quem for, é um convidado ou convidada a ter num futuro GLEX?
Fica desde já lançado o convite! Seria extraordinário receber no GLEX alguém que desse esse próximo passo na Lua. Essa é precisamente a nossa ambição: trazer os protagonistas da exploração ao mais alto nível e permitir que partilhem a sua experiência diretamente com o público. Ouvir quem esteve lá tem uma força muito particular, sobretudo para os mais novos. Se esse regresso acontecer em 2028, faremos tudo para trazer essa história ao GLEX. E, com quem der esse passo, gostaríamos também de ouvir quem o tornou possível. Cada missão representa o trabalho de milhares de pessoas, de cientistas e engenheiros a equipas operacionais e parceiros internacionais. É uma enorme realização humana, construída através do conhecimento e da cooperação.

