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GLEX Ignition: Histórias da Estação Espacial Internacional e da missão Artemis para ouvir em Coimbra

Convento São Francisco acolhe nesta quinta-feira o astronauta Andreas Mogensen e a cientista da NASA Kelsey Young. Organização é da Expanding, de Manuel Vaz, e do The Explorers Club de Nova Iorque.
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Entrevistei um dia Laurence Bergreen em Nova Iorque, e o biógrafo americano de Fernão de Magalhães contou-me que a ideia de escrever sobre o português surgiu quando pesquisava para um livro sobre a NASA e os cientistas com quem falava diziam que o navegador do século XVI os inspirava. Quem me apresentou Bergreen foi Manuel Vaz, que com a sua Expanding, e em parceria com o The Explorers Club de Nova Iorque, criou o GLEX, a Cimeira dos Exploradores, um evento que junta na sua fonte de inspiração os navegadores do tempo dos Descobrimentos e os astronautas e outros exploradores dos séculos XX e XXI. Não por acaso, o primeiro GLEX Summit aconteceu em Lisboa em 2019, nos 500 anos da partida de Magalhães e nos 50 anos da chegada do americano Neil Armstrong à Lua.

Este ano, Portugal volta a acolher o GLEX, na versão Ignition, que esta quinta-feira começa em Coimbra, no Convento São Francisco. Entre os participantes estão figuras como o dinamarquês Andreas Mogensen, astronauta da ESA e um antigo comandante da Estação Espacial Internacional, e a americana Kelsey Young, que lidera a equipa de cientistas lunares da NASA que está envolvida no projeto Artemis, que quer pôr um astronauta na Lua em 2028.

“O GLEX Summit nasceu em 2019, quando celebrávamos os 500 anos do início da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães e os 50 anos da chegada do ser humano à Lua. Criámo-lo em conjunto com o lendário The Explorers Club, ligando Portugal ao prestígio e ao legado de uma instituição que representa mais de um século de exploração. Depois da edição em Otava, regressamos a Portugal, a Coimbra, num momento extraordinário: a humanidade prepara o regresso à Lua e teremos connosco quem está na primeira linha da preparação científica das missões Artemis. Para mim, o GLEX é um fórum único de encontro e cooperação entre esta comunidade internacional e o talento, a ciência, as empresas e as instituições nacionais. É nessa ligação que podemos transformar conhecimento em novas oportunidades e ambições em projetos concretos”, diz Manuel Vaz.

KELSEY YOUNG
KELSEY YOUNGJosh Valcarcel - NASA - JSC

Young, numa entrevista por Zoom publicada no DN já depois da missão Artemis deste ano de aproximação à Lua, falou do entusiasmo pela vinda a Portugal, o país das “grandes navegações”, e, em tom divertido, abriu um pouco o jogo sobre o que poderá abordar hoje em Coimbra: “Ainda estou a tentar organizar tudo, porque podia falar durante duas horas sobre as operações da missão Artemis, mas não tenho esse tempo [risos]. Assim, penso que o objetivo da palestra é contar a história da integração da ciência nas operações de voos espaciais tripulados, através da perspetiva do Artemis II. Falarei sobre o percurso do Artemis II para ilustrar aquilo a que dediquei a minha carreira: integrar a ciência completamente nas operações de voo. Espero conseguir abordar esta minha paixão pela integração e usar o Artemis como uma lente para contar esta história. Quero definitivamente em Coimbra mostrar alguns dos incríveis dados, imagens e vídeos da paisagem lunar. O problema será controlar o tempo [risos].”

Os outros conferencistas no GLEX Ignition serão a cientista Sue Smrekar (que lidera a missão VERITAS da NASA a Vénus), Alizé Carrère (cientista, realizadora e National Geographic Explorer), Cliff Kapono (cientista, surfista profissional e explorador nativo havaiano), Lola Fatoyinbo (ecologista espacial e antiga cientista da NASA), Mark Hannaford (fundador da World Extreme Medicine e pioneiro da medicina em ambientes extremos) e David Ibbett (compositor residente no Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian).

Em 2025, o evento decorreu em Otava, capital do Canadá, em parceria com a Royal Canadian Geographical Society. Lisboa, Porto, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo também já acolheram cimeiras GLEX. Coimbra junta-se agora às sedes portuguesas.

Entre os participantes ao longo dos anos constam nomes como James Garvin, ex-cientista-chefe da NASA e confesso admirador dos navegadores portugueses dos séculos XV e XVI, Nina Lanza, cientista que controlava os rovers usados na exploração de Marte, Michael López-Alegría, astronauta que tem dupla nacionalidade espanhola e americana e fez seis viagens ao espaço, o canadiano Mario Rigby que atravessou África a pé da África do Sul ao Egito, ou a antropóloga Anna Curtenius Roosevelt, que se tem dedicado ao estudo das populações da Amazónia. Todos eles vieram a Portugal e alguns mais do que uma vez, como é o caso de Garvin. Entrevistado pelo DN em 2019, Garvin antecipou aquilo que ouvi mais tarde de Bergreen: a admiração na NASA por figuras como Magalhães, o português que batizou de Pacífico o maior oceano do mundo. Morreu numa escaramuça nas Filipinas mas ficou para a história como o grande responsável pela primeira viagem de circum-navegação, concluída em 1522 pelo espanhol Juan Sebastián Elcano.

Uma das regras tem sido o envolvimento com cientistas (e não só) portugueses. Testemunhei, por exemplo, a cumplicidade entre Garvin e o vulcanologista João Carlos Nunes, professor da Universidade dos Açores, numa visita durante o GLEX Summit de 2022, aos Capelinhos, no Faial.

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