Madrid. Fundo que despejou Maricarmen apresenta plano para o regresso da idosa ao apartamento
O fundo imobiliário Urbagestión propôs "com urgência" à autarquia de Madrid a integração do apartamento de Maricarmen, mulher de 87 anos e com mobilidade reduzida despejada na quarta-feira (23), num programa municipal para arrendamento "estável e acessível" de apartamentos vazios.
Segundo o comunicado da empresa a que o jornais El País e El Economista tiveram acesso, a Urbagestión garante que o seu objetivo era "coordenar com a câmara municipal [...] uma solução que permita à dona Maricarmen Abascal voltar à sua casa com uma alternativa habitacional estável e acessível".n"A empresa coloca-se à disposição da Empresa Municipal de Habitação e Terrenos [responsável pela habitação pública] e dos Serviços Sociais municipais para que a proposta possa ser resolvida no mais curto prazo possível", lê-se ainda.
A Urbagestión, como escreveu no próprio comunicado, só é proprietária do apartamento onde vivia Maricarmen e não de todo o número 46 da rua Alcalde Sainz de Baranda, no bairro de Retiro -- uma das zonas mais caras da cidade.
O despejo da idosa, à quarta tentativa, da casa onde vivia há mais de 70 anos e a carga policial lançada para dispersar as 400 pessoas que tentavam impedir as forças de entrar no prédio abriram um largo debate em Espanha.
Ainda assim, garante a Urbagestión, não houve qualquer proposta de entidades do Estado para a compra do imóvel. A única proposta, que a empresa chamou de "anómala", veio da advogada do Sindicato dos Inquilinos, que propôs a venda do apartamento a uma cooperativa da organização que representa inquilinos na cidade de Madrid.
Terá ainda havido uma proposta por e-mail do pianista ativista britânico radicado em Espanha, James Rhodes, mas apenas na forma de intenção de compra "sem indicar um valor". Ainda assim, a Urbagestión rejeita vender o apartamento, que comprou por 247 mil euros ao antigo senhorio de Maricarmen.
Nem a autarquia, nem o Sindicato de Inquilinos, que tem apoiado a idosa e protagonizado a contestação contra o despejo, receberam qualquer informação sobre a proposta de colocar a habitação para arrendamento acessível.
O sindicato mantém uma nova manifestação pela habitação, com o lema "Nem mais uma Maricarmen", marcada para este sábado no centro da capital espanhola, começando na Porta do Sol e acabando em frente ao edifício do Congresso dos Deputados de Espanha.
Maricarmen, atualmente internada no hospital devido a um esgotamento nervoso sofrido na sequência do despejo, apelou à participação neste protesto. "Não consegui defender a minha casa, mas lutei para que os outros aprendessem a lutar. A minha casa tem sido a minha vida e agora tenho de a deixar para trás, mas isso não significa que não vá continuar a lutar", afirmou num vídeo publicado nas redes sociais.

