A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou esta sexta-feira, 29 de maio, ser uma “prioridade urgente” proteger as crianças das redes sociais, plataformas digitais e Internet em geral, avisando para deficiências nas restrições de idade adotadas em diversos países.Os abusos ‘online’ "resultam de escolhas de design e práticas comerciais que comprometem a segurança, incluindo recursos viciantes como ‘scroll’ infinito, reprodução automática e notificações constantes de aplicações", disse o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, o austríaco Volker Türk."Fortalecer a proteção das crianças ‘online’ é uma prioridade urgente e devemos garantir não apenas que seja executada, mas também que seja implementada corretamente", continuou.Türk pediu medidas mais rigorosas tanto por parte dos governos quanto das empresas, afirmando que "simplesmente limitar o acesso a plataformas que continuam perigosas não é suficiente para proteger efetivamente as crianças".A Austrália foi pioneira em proibir o acesso a diversas plataformas digitais a menores de 16 anos, em 2025, seguindo-se outros países, incluindo Portugal.Segundo Türk, o foco apenas nas restrições não vai mudar os algoritmos que tornaram essas plataformas perigosas. As gigantes da tecnologia devem integrar a segurança "desde a conceção, em vez de transferir essa responsabilidade para os pais e crianças".Segundo diretrizes enunciadas por Türk, a "microsegmentação" de menores para fins comerciais "não deve ser permitida", sugerindo também possíveis restrições de idade para o uso de ‘chatbots’, baseados em inteligência artificial.As diretrizes especificam que tais medidas devem estar sujeitas à supervisão independente, com consequências legais dissuasoras..Pode o uso das redes sociais ser tão prejudicial como o tabaco? Médicos do Reino Unido dizem que sim.Entrevista. “Até ao dia de hoje não existe diagnóstico de dependência de redes sociais”