A reunião desta segunda-feira, 13 de julho, em Paris da Coligação dos Dispostos ficou marcada pela criação de uma outra coligação - desta feita entre Kiev e outras nove capitais - para proteger a Europa dos mísseis balísticos, mas também pelo anúncio feito por Emmanuel Macron de que os aliados da Ucrânia concordaram em iniciar exercícios militares nos países vizinhos como parte de uma força multinacional. O presidente francês revelou ainda que a Ucrânia adquiriu novos sistemas de defesa aérea franco-italianos, incluindo 16 caças Rafale, cujas primeiras unidades deverão estar prontas entre 2028 e 2029 - esta é a primeira vez que Paris aceitou licenciar a produção à Ucrânia.Esta reunião na capital francesa dos 35 países aliados de Kiev teve lugar dias depois de uma cimeira da NATO que mostrou a unidade transatlântica e o apoio a longo prazo à Ucrânia, tendo o Kremlin criticado ontem a Coligação dos Dispostos, classificando os seus líderes como “não querendo a paz”.Mas o ponto forte, apesar de já ser esperado, foi a Ucrânia e nove países europeus - Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia e Reino Unido - terem anunciado ontem, numa reunião antes da cimeira principal da Coligação dos Dispostos, a criação de uma coligação para proteger a Europa dos mísseis balísticos.“Esta solução irá complementar os sistemas de defesa contra mísseis balísticos já existentes, incluindo as soluções europeias soberanas já adquiridas ou a adquirir pelos países participantes. Ao unir a nossa base industrial de defesa, as nossas capacidades de investigação e a nossa experiência operacional, temos como objetivo construir uma capacidade partilhada de defesa antimíssil balístico para a Europa e apoiar atividades relevantes que contribuam para este objetivo. Fazemo-lo não contra qualquer povo, mas em defesa do nosso próprio povo”, refere a declaração conjunta, onde é reconhecida “a experiência singular da Ucrânia, adquirida na defesa contra a guerra de agressão da Rússia”.Esta nova coligação - que se diz aberta a outras nações que partilhem os seus princípios e objetivos - apresentou ontem também o seu Programa de Mísseis Antibalísticos FREYJA, com Volodymyr Zelensky a destacar que a Europa precisa de desenvolver um sistema próprio, estando a Ucrânia pronta para fornecer o míssil antibalístico para este fim.“Estamos a finalizar o projeto agora. Outros parceiros têm radares e outros componentes críticos. Por isso, é importante que unamos realmente forças. Agradeço às empresas a disponibilidade para trabalhar em conjunto. Hoje, ao nível dos dirigentes, é fundamental confirmar politicamente que o FREYJA é o nosso projeto comum”, salientou o presidente ucraniano.Para Zelensky, o mundo carece atualmente de capacidades antibalísticas suficientes, e isso é algo evidente para todos, notado que os Estados Unidos estão a trabalhar para aumentar a produção do sistema Patriot, enquanto a Europa trabalha para ampliar a produção dos sistemas SAMP/T, IRIS-T e NASAMS. Mas que, no entanto, a necessidade de proteção supera as capacidades existentes. Nesse sentido, referiu esperar ver o FREYJA em pleno funcionamento nos próximos 12 meses.Uma outra parceria, desta vez entre União Europeia e o Reino Unido, foi anunciada esta segunda-feira, após a conclusão do acordo que permite a Londres participar no empréstimo de 90 mil milhões de euros de apoio à Ucrânia, com ambos a sublinharem que se mantêm firmes no compromisso de apoiar Kiev “durante o tempo que for necessário”. O primeiro-ministro Keir Starmer explicou que, desta forma, as empresas britânicas poderão participar em concursos para contratos financiados pelo empréstimo de apoio à Ucrânia. “Este acordo ajudará a garantir que a Ucrânia recebe o apoio necessário para se defender da agressão russa, ao mesmo tempo que beneficia as empresas britânicas do setor da defesa, apoia os empregos qualificados e reforça a nossa segurança nacional”, sublinhou Starmer. Uma declaração conjunta nota que Londres “dará um contributo justo e proporcionado para os custos decorrentes do empréstimo, em função do valor dos contratos adjudicados a empresas britânicas”. .Ucrânia compra 20 caças à Suécia e vai receber mais 16 como donativo.Londres e Kiev criam parceria para fabricar e vender drones .Maioria do empréstimo da União Europeia à Ucrânia será para gastos em Defesa