Israel. Eisenkot ganha força para formar governo em dia de reuniões com presidente do país
As reuniões para tentar encontrar um novo governo para Israel continuaram esta quinta-feira, com o presidente Isaac Herzog a receber os representantes dos principais partidos antes de encarregar um candidato de tentar formar governo. O líder da oposição, Gadi Eisenkot, passou a favorito após o apoio de um partido árabe e a saída de uma fação ultra-ortodoxa da coligação do governo.
Os dois últimos partidos a ser recebidos são os que disputam a liderança de um novo governo, nomeadamente o Yashar, liderado por Eisenkot, e o Likud, partido do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
Cada partido lidera um bloco no novo esquema parlamentar, criado pelas eleições do passado dia 27 de outubro. Eisenkot é o principal candidato de um bloco que junta muita da oposição dos partidos judaicos no anterior panorama político.
Já Netanyahu tentava reconstruir a coligação de governo que parecia ter vencido as últimas eleições e que juntava o seu partido a outras forças da direita e extrema-direita, como o Poder Judaico, de Itamar Ben-Gvir.
Porém, a coligação do primeiro-ministro mostrou as suas primeiras falhas. Segundo o Times of Israel, logo na primeira reunião marcada com o presidente, o partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá decidiu não recomendar qualquer candidato, rompendo com a coligação anterior.
Esta quebra é um duro golpe nas contas para o novo parlamento. Contando com os sete deputados eleitos pelo Judaísmo Unido da Torá, o bloco de Netanyahu (até agora com 53 deputados) superaria por cinco deputados o bloco da oposição (até agora com 48).
Porém, com a aparente saída dos ultraortodoxos do bloco, a fação de Netanyahu passa a ter apenas 46 deputados que a apoiam, abrindo caminho a que Eisenkot possa ser o escolhido do presidente para tentar formar governo.
Cabe destacar que a escolha pelo presidente israelita não é linear, ou seja, não irá recair necessariamente sobre quem tem mais lugares no Knesset (parlamento israelita), mas sim sobre quem tem melhores possibilidades de formar governo, explicou o Times of Israel.
Antes desta mudança, Eisenkot tinha recebido outro sinal a seu favor. Na quarta-feira, o partido árabe conservador Ra'am tinha decidido nomear o candidato da oposição, um antigo chefe de estado-maior das IDF, que iria apoiar na reunião com Herzog nesta quinta-feira.
Este apoio tornaria ainda mais ampla a coligação anti-Netanyahu, que já junta partidos conservadores, de centro direita aos Democratas, um partido que uniu os sociais democratas da chamada "esquerda sionista".
No entanto, Eisenkot, escolhido por todos como o seu candidato, tinha prometido que o Ra'am não iria fazer parte do seu governo em agosto deste ano, tendo colocado igualmente de parte a inclusão de partidos ultraortodoxos.
"De momento, não vejo nenhum partido árabe ou haredi [ultraortodoxo] que aceite estes princípios, incluindo [o líder do Ra’am] Mansour Abbas, e, por isso, ele não fará parte do meu próximo governo", disse em agosto, citado pelo Times of Israel.

