Israel. Comissão Eleitoral ratifica resultados e diz que lançar dúvidas é um “perigo real” para a democracia
A Comissão Central Eleitoral de Israel anunciou esta quarta-feira não ter encontrado provas de fraudes que comprometam a integridade das eleições legislativas, cujo resultado foi contestado pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e seus aliados.
Após analisarem os recursos dos diferentes partidos e realizarem verificações exaustivas, as autoridades eleitorais não encontraram “nenhuma irregularidade ou prova que indicasse que a integridade das eleições tivesse sido comprometida ou que os resultados tivessem sido alterados”, indicou a comissão.
Horas depois, o líder desta comissão, o juiz do Supremo Noam Sohlberg, entregou os resultados oficialmente certificados da eleição de 27 de outubro ao presidente israelita, Isaac Herzog. Uma certificação concluída não sem polémica: na votação, dois representantes do partido de extrema-direita Otzma Yehudit votaram contra, e os 14 representantes da coligação ainda no governo abstiveram-se, pois continuam a levantar dúvidas sobre os resultados (nomeadamente dos partidos árabes), apesar da garantia de que a votação é válida. A certificação dos resultados só foi possível com o voto a favor dos 15 membros da oposição.
Falando na cerimónia de apresentação dos resultados, Sohlberg recordou que “nos últimos dias têm surgido vozes que procuram lançar dúvidas sobre os resultados eleitorais e questionar a sua validade”, numa referência a Netanyahu e seus aliados, notando que “isto representa um perigo real”, pois “um dos pilares da democracia é a possibilidade de uma transição governativa de forma pacífica”.
O juiz reiterou ainda que, mesmo que suspeitas de fraude eleitoral na comunidade árabe (até agora não comprovadas) venham a ser confirmadas, a dimensão da alegada irregularidade não seria suficiente para afetar os resultados eleitorais. De recordar que os dois partidos árabes israelitas obtiveram um resultado histórico nas eleições ao conquistarem 19 deputados, tornando-se assim nos potenciais fiéis da balança para uma maioria parlamentar.
Isaac Herzog - que esta quarta-feira e quinta-feira está a ouvir os partidos para dar início às negociações com vista à formação de um governo - insistiu que a sociedade árabe não pode ser difamada em resultado das investigações sobre fraude eleitoral. “Condeno as expressões grosseiras e racistas que ouvimos recentemente. Não há lugar para elas em relação a nenhuma comunidade em Israel”, afirmou o presidente israelita.

