Irão: resposta a plano de paz dos EUA inclui controlo iraniano do estreito de Ormuz

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Irão: resposta a plano de paz dos EUA inclui controlo iraniano do estreito de Ormuz
EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Londres e Paris copresidem amanhã reunião de países sobre missão no estreito de Ormuz

Os ministros da Defesa britânico e francês copresidem, na terça-feira (12), uma reunião dos países dispostos a integrar uma missão para garantir a segurança no estreito de Ormuz para discutir as "contribuições militares" de cada um, anunciou Londres no domingo.

Os cerca de 40 países envolvidos "deverão aproveitar a reunião (por videoconferência) para discutir e definir as suas contribuições militares para a missão defensiva destinada a reabrir e assegurar o estreito de Ormuz, quando as condições o permitirem", indicou o Ministério da Defesa britânico num comunicado.

Teerão já avisou que dará uma "resposta decisiva e imediata" em caso de presença francesa e britânica no estreito de Ormuz, após o anúncio por Paris e Londres do envio de navios militares para a região.

No entanto, o Presidente francês, Emmanuel Macron, assegurou que a França nunca "considerou" um "destacamento militar" no estreito de Ormuz.

Em meados de abril, vários países não diretamente envolvidos no conflito desencadeado a 28 de fevereiro pelos ataques norte-americano e israelitas ao Irão disseram estar prontos para pôr em prática uma "missão neutra" a fim de proteger o estreito, durante uma conferência copresidida em Paris por Emmanuel Macron e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

O objetivo é "acompanhar e proteger os navios mercantes que transitem no Golfo", declarou na ocasião Emmanuel Macron, enquanto Keir Starmer falou de uma força "pacífica e defensiva".

Os Estados Unidos (EUA) e o Irão, partes beligerantes no conflito, não participaram destas negociações.

Londres já anunciou o pré-posicionamento "no Médio Oriente", sem mais detalhes, do contratorpedeiro de defesa aérea “HMS Dragon”, até agora posicionado no Mediterrâneo oriental.

Por seu lado, Paris anunciou em 06 de maio o envio para o Golfo do porta-aviões “Charles de Gaulle”.

Durante a reunião de ministros de terça-feira, "o nosso papel será garantir que não nos limitemos a falar, mas que estejamos prontos para agir", afirmou John Healey, o ministro da Defesa britânico, que copresidirá a reunião com a sua homóloga francesa Catherine Vautrin.

O bloqueio quase total imposto por Teerão, em retaliação aos ataques dos EUA e Israel, à navegação pelo estreito de Ormuz, estratégico para o transporte marítimo, nomeadamente de hidrocarbonetos, abalou a economia mundial, e cerca de 1.500 navios e 20.000 membros de tripulações estão lá retidos.

Preço do petróleo sobe 3% após Trump criticar resposta de Teerão

Os contratos para entrega de petróleo subiram mais de 3%, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado a resposta do Irão à recente proposta dos Estados Unidos para terminar o conflito.

No domingo à noite, os contratos futuros do crude West Texas Intermediate - referência nos Estados Unidos - subiam 3,24% face ao fecho de sexta-feira, para 98,51 dólares (83,73 euros) por barril, e o petróleo Brent, a referência europeia, também subia 3,24% para 104,57 dólares (88,89 euros).

A perspetiva de tensões geopolíticas contínuas no Médio Oriente pressionou o mercado petrolífero para cima, enquanto os contratos futuros do mercado bolsista apontavam para o movimento oposto, de queda.

Nas negociações pré-mercado de hoje, o índice da bolsa de Nova Iorque Dow Jones Industrial Average caía 0,26%, o S&P 500 caía 0,22%, enquanto o Nasdaq recuava 0,1%.

No domingo, Donald Trump rejeitou a resposta do Irão à mais recente proposta dos Estados Unidos para terminar a guerra, numa declaração feita na plataforma que detém, Truth Social. "Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irão. Não gosto nada. É TOTALMENTE INACEITÁVEL! Agradeço a vossa atenção a este assunto".

Netanyahu planeia reduzir "a zero" ajuda militar que Israel recebe dos EUA em 10 anos

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que planeia reduzir "a zero" a ajuda militar que Israel recebe dos Estados Unidos (EUA) num prazo de dez anos.

"Quero reduzir a zero o apoio, a componente financeira da cooperação militar que temos, porque recebemos 3.800 milhões de dólares por ano (cerca de 3.230 milhões de euros, ao câmbio atual)”, disse Netanyahu numa entrevista à estação CBS, que será transmitida na íntegra esta noite nos EUA.

Na fase inicial da entrevista ao programa “60 Minutes”, o jornalista Major Garrett pergunta ao líder israelita se planeia reconsiderar a relação financeira entre Israel e os Estados Unidos e, em concreto, os fundos que o Estado hebraico recebe do seu reconhecido aliado.

"Claro. Eu disse isso ao Presidente (Donald) Trump, disse isso também ao nosso povo. Ficaram boquiabertos", respondeu Netanyahu, para depois especificar que procura acabar com essa dependência financeira. "Acho que é hora de nos desacostumarmos do apoio militar que ainda resta", acrescentou.

Questionado sobre os prazos, Netanyahu afirmou que a sua ideia é eliminar esse financiamento gradualmente "ao longo da próxima década". "Quero começar agora, não quero esperar pelo próximo Congresso. Poderia diminuir muito rapidamente", acrescentou.

 Os Estados Unidos entregam anualmente 3.800 milhões de dólares a Israel em ajuda militar, mas esses fundos, aprovados pelo Congresso norte-americano, enfrentam um escrutínio cada vez maior devido à guerra lançada pelos israelitas contra a Faixa de Gaza e à redução, em geral, da ajuda externa norte-americana.

Noutro ponto da entrevista, Netanyahu também declarou que a guerra no Irão, iniciada a 28 de fevereiro, "conseguiu muito, mas não terminou", e fez referência ao urânio enriquecido no país persa e às infraestruturas relacionadas, que "devem ser desmanteladas".

Afirmou que a solução para a questão do urânio é "ir e tirá-lo" do Irão, e que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lhe disse que quer "ir lá", possivelmente através de um acordo, e que essa é "uma missão tremendamente importante".

Resposta a plano de paz dos EUA inclui controlo iraniano do estreito de Ormuz

A resposta do Irão à proposta de paz dos Estados Unidos inclui o levantamento das sanções económicas sobre a República Islâmica, o fim do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos e a gestão iraniana do estreito de Ormuz.

O conteúdo da resposta iraniana foi noticiado pela agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico do regime de Teerão, citando fontes diplomáticas que explicaram a exigência de que os Estados Unidos (EUA) “cumpram alguns compromissos”.

Segundo a Tasnim, o governo dos ‘ayatollahs’ exigiu o fim do bloqueio e que seja permitida a exportação de petróleo bruto do Irão, bem como o levantamento das sanções económicas dos EUA sobre o Irão e os seus ativos no Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC).

A proposta iraniana especificou também que o estreito de Ormuz, palco de tensões entre Washington e Teerão que mantêm a economia global em suspenso, seja gerido pela República Islâmica sob alguns “compromissos” não especificados por parte dos EUA.

Além disso, inclui uma cláusula para um cessar-fogo no Líbano, algo que constitui uma “linha vermelha” para Teerão, segundo a fonte citada pela Tasnim.

Momentos antes destes termos terem sido citados nas agências internacionais, o Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu que considera “totalmente inaceitável” a resposta iraniana.

"Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irão. Não gosto nada — É totalmente inaceitável [escrito em maiúsculas]! Agradeço a vossa atenção a este assunto", escreveu na sua rede social Truth Social, sem adiantar mais pormenores sobre a recusa.

O chefe de Estado norte-americano voltou a recorrer à escrita em letras maiúsculas, como faz frequentemente para enfatizar a mensagem.

Segundo a Tasnim, Teerão propõe que a guerra termine imediatamente após o anúncio do acordo, com um período de 30 dias a seguir, durante o qual se conclua a negociação do possível pacto.

Esta negociação continua a ser mediada pelo Paquistão, que transmitiu hoje a resposta iraniana ao plano elaborado pela Casa Branca.

Washington esperava receber esta missiva durante o fim de semana para decidir se mantém a trégua iniciada a 08 de abril ou se, pelo contrário, retoma as hostilidades face à falta de progressos no desmantelamento do programa de enriquecimento de urânio iraniano.

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