Irão propôs acordo para reabrir o estreito de Ormuz dentro de 7 dias
O Irão fez uma proposta para reabrir o estreito de Ormuz e retomar as negociações sobre o seu programa nuclear dentro de sete dias, caso os Estados Unidos suspendam o atual bloqueio naval, retirem as sanções às vendas de petróleo iraniano e observem um cessar-fogo que inclua o Líbano.
De acordo com a AP, que cita uma fonte participou no encontro, o líder da diplomacia de Teerão, Abbas Araghchi, avançou com detalhes da proposta num encontro privado realizado na quinta-feira à noite, em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.
A mesma fonte, identificada como sendo Trita Parsi, vice-presidente executivo do think tank Quincy Institute, Araghchi terá dito ainda na mesma reunião que um acordo rápido entre Teerão e Washington iria beneficiar presidente dos EUA, Donald Trump, antes das eleições intercalares de novembro.
“Se Trump avaliar que este acordo vale a pena, pode trazer benefícios políticos antes das eleições intercalares e reduzir os preços da gasolina, talvez vejamos uma flexibilidade não observada nas semanas anteriores”, declarou Parsi à AP, notando porém a existência de uma “profunda desconfiança” quanto a esta oferta, que existe a possibilidade de o Irão estar apenas a ganhar tempo para exportar mais petróleo e aliviar as suas dificuldades económicas.
Abbas Araghchi reuniu-se na terça-feira, à margem da Assembleia Geral da ONU, com o emissário norte-americano Steve Witkoff, a quem comunicou as condições de Teerão para a reabertura do estratégico estreito de Ormuz.
Araghchi disse a Witkoff que as condições de Teerão incluíam "o levantamento imediato do bloqueio naval [norte-americano], a rápida libertação de todos os bens iranianos congelados, bem como o fim da guerra em todas as frentes", noticiou a emissora estatal iraniana IRIB.
Donald Trump tinha descrito na mesma terça-feira como "muito boa" a reunião realizada entre representantes norte-americanos e iranianos, pouco depois de ter ameaçado "aniquilar" a República Islâmica durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU.
De recordar que Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, com mediação de países do Médio Oriente, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
No entanto, as partes voltaram aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.

