Irão promete "medidas recíprocas imediatas" caso Washington volte a cumprir memorando
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou esta terça-feira (1 de setembro) que Teerão responderá de forma recíproca, caso os EUA regressem aos seus compromissos ao abrigo do Memorando de Entendimento, que foi assinado em junho e que entretanto expirou.
"Declaro explicitamente que, se os Estados Unidos regressarem aos seus compromissos ao abrigo do memorando de entendimento, a República Islâmica do Irão tomará imediatamente medidas recíprocas", disse Pezeshkian num discurso na 26.ª cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, em Bishkek (Quirguistão).
O memorando de entendimento foi assinado em junho, após a mediação do Paquistão e do Qatar, e incluía disposições relativas ao fim das hostilidades entre os EUA e o Irão, ao Estreito de Ormuz e a novas negociações entre Washington e Teerão.
Pezeshkian, que reúne ainda esta terça-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, acusou os EUA de não cumprirem o acordo menos de duas semanas depois de este ser assinado, afirmando que as violações americanas tiveram respostas proporcionais da parte de Teerão.
As declarações de Pezeshkian surgiram depois de o Irão e os EUA terem retomado os ataques mútuos na segunda-feira, após mais de um mês de relativa calma.
A Organização de Cooperação de Xangai, fundada em 2001, é composta pela Bielorrússia, China, Índia, Irão, Cazaquistão, Quirguistão, Paquistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão, com o Irão a tornar-se membro de pleno direito em 2023.
Na declaração emitida após a cimeira, os líderes destes países defenderam uma solução política e diplomática para o conflito no Irão. "Os Estados-membros, reafirmando o seu apoio à soberania e à integridade territorial da República Islâmica do Irão, defendem uma resolução do conflito exclusivamente por meios políticos e diplomáticos", disseram.
Os líderes condenaram ainda os ataques contra o território iraniano. "Estas ações violam os princípios e as normas do direito internacional e da Carta da ONU, além de representarem sérios riscos para a paz, a segurança e a estabilidade globais", declararam.

